TRE-MG reverte condenação e afasta inelegibilidade de Deiró Moreira Marra
Decisão unânime acolheu parcialmente argumento da defesa sobre prejuízo à ampla defesa após juntada tardia de inquérito; multa e pena por abuso de poder político haviam sido aplicadas em Patrocínio.
04/06/2026 às 09:02por Redação Plox
04/06/2026 às 09:02
— por Redação Plox
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O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais reverteu, por unanimidade, a condenação que havia tornado inelegível o ex-prefeito de Patrocínio, no Alto Paranaíba, e ex-deputado estadual Deiró Moreira Marra. A decisão foi tomada na terça-feira (2) e afasta, neste momento, a punição relacionada a uma ação eleitoral sobre suposto abuso de poder político nas eleições municipais de 2024.
TRE-MG derruba inelegibilidade de Deiró Marra em caso de cestas básicas em Patrocínio.
Foto: Divulgação/ALMG
Tribunal acolheu tese sobre ampla defesa
No julgamento, o TRE-MG acolheu parcialmente a tese da defesa de que houve prejuízo à ampla defesa por causa da juntada tardia de um inquérito policial aos autos. Os advogados sustentaram que o material foi anexado quando o processo já estava em fase avançada e teria ampliado fatos e elementos que não constavam originalmente da ação.
Com o entendimento, os desembargadores deram provimento parcial aos recursos e afastaram a condenação por abuso de poder político imposta pela Justiça Eleitoral de Patrocínio. Em primeira instância, Deiró havia sido condenado ao pagamento de multa de R$ 80 mil e declarado inelegível por oito anos, contados a partir das eleições de 2024.
Tribunal acolheu tese sobre ampla defesa.
Foto: Divulgação/ALMG
Origem da acusação
A ação foi proposta pelo atual prefeito de Patrocínio, Gustavo Tambelini Brasileiro, por Maurício da Cunha e pela coligação Uma Patrocínio Para Todos. A acusação apontava suposto uso da estrutura da prefeitura, com servidores, veículos públicos e programas assistenciais, para favorecer a chapa apoiada por Deiró na disputa municipal.
Ação foi proposta pelo atual prefeito de Patrocínio, Gustavo Tambelini Brasileiro, por Maurício da Cunha e pela coligação Uma Patrocínio Para Todos.
Foto: Redes Sociais/Gustavo Tambelini Brasileiro
Na sentença de primeiro grau, a Justiça Eleitoral havia entendido que houve condutas vedadas e abuso de poder político ligados à distribuição de cestas básicas. A decisão também havia aplicado multas a Wellington Rodrigo Fernandes, o Mamazão, e Florisvaldo José de Souza, o Valtinho do Jandaia, candidatos apoiados por Deiró no pleito.
Defesa citou programa social já existente
A defesa de Deiró, representada pelo advogado Raimundo Cândido Neto, argumentou que a entrega das cestas ocorria dentro de um programa social já existente no município, vinculado à política de assistência social e voltado a famílias em situação de vulnerabilidade. Também sustentou que a sentença de primeiro grau teria se apoiado em elementos do inquérito policial sem a mesma possibilidade de contraditório dada às provas produzidas em juízo.
Com a decisão do TRE-MG, a inelegibilidade imposta a Deiró nesse processo deixa de produzir efeito. O caso ainda pode ter novos desdobramentos nas instâncias eleitorais, caso sejam apresentados e admitidos recursos dentro das regras processuais.