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    Gripe: caminhoneiros e militares estão entre grupos menos vacinados

    Por outro lado, puérperas e indígenas têm os melhores índices. Cobertura vacinal, desigual, varia de 2,5% a 80% dos grupos prioritários

    Por Plox

    05/01/2022 11h16 - Atualizado há 17 dias

    Mesmo sendo gratuita, eficaz e amplamente divulgada, a imunização contra a gripe não atingiu os resultados previstos na campanha nacional, e a discrepância da cobertura vacinal varia de 2,5% a 80% no público-alvo.

     

    Populações mais vulneráveis à enfermidade deixaram de procurar os pontos de saúde e chegam em 2022 sem estarem protegidas.

    Grupos como pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores de transporte e portuários apresentam os mais baixos índices de vacinação, não alcançando sequer 20% de cobertura vacinal (veja ranking completo abaixo).

    De 7,5 milhões de pessoas com alguma deficiência permanente, somente 186.487 receberam a proteção. No caso dos caminhoneiros, que somam 1,2 milhão de profissionais, somente 147.498 foram vacinados.

     

    O panorama nacional também é ruim. A situação de cobertura vacinal completa é de 58,4%. Ao todo, o público-alvo reúne 79,7 milhões de pessoas.

    Vacinação contra gripe posto 612 Sul

     

    Os dados foram analisados  com base em estatísticas publicadas pelo LocalizaSUS, plataforma de prestação de contas do Ministério da Saúde.

    O surto de gripe desencadeado pela circulação do vírus H3N2 chama a atenção para esse comportamento da população em relação à vacinação. Mesmo o imunizante atual não contendo a cepa, a proteção ajuda a diminuir adoecimentos — ainda mais essencial durante a pandemia de Covid-19, doença causada pelo coronavírus.

    Para o leitor ter dimensão de como a campanha está heterogênea, os mais altos índices de adesão à vacina são de puérperas (mulheres que deram a luz recentemente), indígenas, gestantes, crianças e idosos.

    Veja o percentual da vacinação completa contra a gripe:

    • Pessoas com deficiência permanente – 2,5%
    • Caminhoneiros – 11,9%
    • Trabalhadores de transporte – 14,6%
    • Portuários – 16,2%
    • Forças Armadas – 20,4%
    • Forças de Segurança e Salvamento – 29,1%
    • Pessoas com comorbidades – 50,9%
    • População privada de liberdade – 51,5%
    • Funcionários do sistema prisional – 59,6%
    • Professores – 63,2%
    • Trabalhadores da saúde – 66,7%
    • Idosos – 69,3%
    • Crianças – 69,4%
    • Gestantes – 75,5%
    • Indígenas – 76,5%
    • Puérperas – 80,4%

    A preocupação da comunidade médico-científica é que os “bolsões” de não vacinados comprometam a eficácia da campanha.

    Hoje, não é preciso ter intervalo entre a aplicação das vacinas contra a Covid-19 e a da gripe.

    Desde o início da campanha, em abril, o temor das autoridades sanitárias era de que a empreitada não alcançasse o público-alvo por causa da imunização contra a Covid-19.

    Na tentativa de ampliar a cobertura, o Ministério da Saúde liberou, em julho, as doses para todas as faixas etárias.

     

    Os médicos entendem que a população está menos protegida nos últimos dois anos devido a uma baixa ocorrência de gripe. O relaxamento recente das medidas de isolamento social deixou a população mais vulnerável aos novos vírus.

    Importância da vacina

    O infectologista Dalcy Albuquerque, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), defende a imunização, mesmo a fórmula não contendo a cepa que circula atualmente.

    “A vacina que temos hoje até protege, mas não é a proteção máxima que podemos conseguir. A vacina melhora muito a possibilidade de não ter um quadro grave”, frisa.

    O especialista critica a resistência do público prioritário. “É muito importante que esses grupos estejam vacinados. Eles transitam pela sociedade. Caminhoneiros, por exemplo, podem ir espalhando a gripe pelo país inteiro”, explica.

     

     

     

    “É fundamental que tenhamos uma cobertura vacinal grande”, conclui.

    Na mesma tendência, a infectologista Ana Helena Germoglio defende a vacinação. “Qualquer imunidade é melhor do que nenhuma imunidade”, vaticina.

    Ela faz um alerta para a campanha deste ano. “Qualquer vacina é sempre bem-vinda. Como estamos tendo surto dessa cepa, podemos ter de outras. Geralmente, a vacina da gripe é desenhada para conferir a imunidade de seis meses, para época de maior frio”, pondera.

    Versão oficial

    O Metrópoles questionou o Ministério da Saúde sobre o percentual de público-alvo vacinado contra a gripe e os riscos da recusa da imunização.

    Até a mais recente atualização desta reportagem, a pasta não havia se manifestado. O espaço continua aberto a esclarecimentos.

    Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/gripe-caminhoneiros-e-militares-estao-entre-grupos-menos-vacinados
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