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    Diretora da OMS alerta: “haverá sim outra pandemia”

    A diretora informou que a OMS terá uma Assembleia Mundial de Saúde em novembro

    Por Plox

    05/10/2021 17h37 - Atualizado há 23 dias

    A diretora-geral da OMS, Mariângela Simão, disse à RFI que a OMS está preparando um tratado sobre pandemias e que uma nova pandemia é apenas "uma questão de tempo". 

    De acordo com Mariângela Simão, é certo que haverá uma nova pandemia e sobre isso não há dúvidas. A diretora informou que a OMS terá uma Assembleia Mundial de Saúde em novembro. A  possibilidade de desenvolver um "tratado para pandemias" será um dos temas principais. “A decisão, segundo ela, ainda não foi aprovada, mas o tema circula entre os países, “não só por reforçar o papel da OMS em uma emergência de interesse público como essa”, mas também porque “cria uma série de formalidades que os países e o setor privado têm que tomar no caso de uma emergência como uma pandemia mundial”, disse.

    A necessidade de se criar uma forma para que os países se preparem para uma nova pandemia é porque, segundo a diretora, a OMS concluiu que "Vai ter uma próxima pandemia", diz Simão. “Isso é uma coisa que a gente já sabe e que é inevitável. É uma questão de quando vai acontecer", reafirma.

    "Essa pandemia, depois da gripe espanhola, foi a mais impactante e é também uma constatação: acho que o mundo precisa acordar porque a gente vê que não foram apenas os países em desenvolvimento que foram afetados. Afetou o mundo todo, ninguém estava preparado”, considera. "A Assembleia Mundial de Saúde agora em novembro estará discutindo a possibilidade de desenvolver um tratado para pandemias”, explicou Mariângela Simão.

     

    Diretora-geral da OMS, Mariângela Simão - Foto: reprodução Youtube

     

    A atual pandemia de coronavírus também será objeto de debate na união, incluindo as variantes do coronavírus e a vacinação. "Acho que tem duas coisas, um lado é em relação a esse coronavírus específico que é o Sars-Cov-2 e as variantes, algumas variantes de preocupação, como o caso da Delta, que está presente em 188 países", destaca a diretora. "Então a preocupação e o empenho [da OMS] em aumentar a cobertura vacinal é global mas em todos os países e não apenas em alguns, para evitar que novas variantes preocupantes surjam", afirma.

     

    Vacina para adolescentes só depois dos grupos prioritários

    Mariângela Simão também detalhou sobre a vacinação de adolescentes. Ela destacou que "a OMS emite uma recomendação baseada num grupo de especialistas que auxilia a organização neste sentido". "Desde julho desse ano, a gente tem recomendações relacionadas ao uso da vacina da Pfizer, é a única que tem recomendação para utilização na população entre 12 a 15 anos, e já havia a recomendação para pessoas acima de 16 anos", comenta.

     

    “Mas a OMS faz a ressalva que a vacina deve ser priorizada para adolescentes portadores de comorbidades. No entanto, para a geral da população de adolescentes, a vacina para este grupo deve ser administrada após a cobertura de todos os outros grupos prioritários. Essa é a recomendação para os países que ainda não atingiram uma cobertura mais alta na população de adultos”, informa.

     

    Vacina para crianças

    A diretora lembra que ainda não existe nenhuma vacina liberada para uso em crianças, abaixo de 12 anos. “Não tem vacina aprovada ainda para criança então não pode ter uma política nacional usando vacinas que não foram aprovadas para idade abaixo de 12 anos”, lembra a diretora. “Nós só temos uma vacina aprovada para uso em adolescentes a partir de 12 anos. Tem vários estudos em andamento, mas nenhuma delas foi aprovada ainda pela OMS para uso em crianças”, destaca a diretora.

     

     

    Vacina aplicada anualmente

    Mariângela Simão informa que a OMS ainda não concluiu os estudos sobre a necessidade de que a vacinação contra covid seja anual. “No entanto, é possível que isso aconteça. Esse é o comportamento desse tipo de vírus, da família dos coronavírus, de se tornar endêmico. O importante é ter sempre em mente que o mais importante é evitar que as pessoas mais suscetíveis morram por conta desse vírus e que a economia pare como parou”, afirma.

     

    Vacinação nasal contra covid

    A diretora, ao falar sobre vacina intranasal, a diretora é cautelosa ao avaliar esse tipo de imunização. “A gente ainda não tem nenhuma vacina nasal aprovada globalmente para a covid. Acredito que algumas possam estar em fase 3, a última fase antes dela ser autorizada emergencialmente em algum país. Faz sentido se pensarmos num tipo de produto ideal, seria ótimo uma vacina que pudesse ser administrada via nasal, mas ainda não estamos lá”, afirma. 

     

    Tratamento para a Covid

    "A OMS já recomendou mais cedo neste ano a utilização da betametazona, uma medicação que está há 50, 70 anos no mercado é um corticoesteróide, para pacientes graves em ambientes hospitalares porque ele impacta na mortalidade", destaca a diretora.

    "Em julho a OMS fez uma recomendação para o que a gente chama de anticorpos monoclonais, bioterapêuticos, os bloqueadores da L6. Então estes dois medicamentos foram recomendados em julho e essa semana que passou a OMS recomendou uma outra combinação de anticorpos monoclonais, o coquetel do Regeneron e que é bem como você falou, essas medicações são caras e de baixa disponibilidade e elas têm o objetivo de impedir morte. Elas são utilizadas em ambiente hospitalar a gente ainda não tem nenhuma medicação aprovada pra prevenção, profilaxia e nenhuma medicação aprovada para casos leves", lembra a especialista.

    "Esse é o objetivo básico, trabalhar com a indústria farmacêutica para que os países tenham acesso a preços sustentáveis para poder dar acesso aos seus pacientes", diz Simão. "Isso no momento está bastante difícil porque está concentrada em apenas dois produtores, um deles concentra 3 dos 4 produtos a Roche, Regeneron, e a Sanofi com outro produto, então está muito concentrado com uma capacidade de produção que não é grande. A expectativa é que a gente vai ter nesses primeiros 6 meses de produção uma disponibilidade ainda difídil desses produtos e um preço alto, essa é uma conversa que está acontecendo nesse momento com a Roche", diz.


     

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