Mãe vítima de ataque no México salvou filha de sete meses escondendo bebê embaixo de banco

05/11/2019 16:15

"Encontraram a bebê de Christina, Faith, em um veículo cheio de buracos de bala. De alguma forma, ela permaneceu intocada e viva", contou Kendra Lee Miller, amiga da família, em um

Publicidade

Uma bebê de sete meses que foi uma das sobreviventes de um ataque que terminou com a morte de pelo menos nove pessoas que estavam em três veículos no México foi salva por uma atitude heroica da mãe, Christina Langford Johnson, de 32 anos, vítima da tragédia. Segundo familiares, a pequena Faith foi encontrada em um carro cravejado de tiros, mas estava presa em um cadeirinha que parecia ter sido foi colocada às pressas embaixo do banco do veículo, o que evitou que fosse atingida por qualquer disparo.

Christina Langford Johnson, de 32 anos, foi uma das nove vítimas de massacre no México Foto: Reprodução/Redes Sociais

Christina Langford Johnson, de 32 anos, foi uma das nove vítimas de massacre no México Foto: Reprodução/Redes Sociais

"Encontraram a bebê de Christina, Faith, em um veículo cheio de buracos de bala. De alguma forma, ela permaneceu intocada e viva", contou Kendra Lee Miller, amiga da família, em uma postagem no Facebook. Kendra disse ainda que a amiga chegou a sair do carro para avisar aos criminosos que havia apenas mulheres e crianças nos veículos, mas a atitude foi em vão.

 

Rhonita, Dawna e Christina foram assassinada após ataque de criminosos no México
Rhonita, Dawna e Christina foram assassinada após ataque de criminosos no México Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

A tragédia terminou com a morte de três mães e seis crianças — duas delas com apenas oito meses de vida — da família LeBarón. O grupo vivia na comunidade mórmon La Mora, no estado mexicano de Sonora.

A polícia ainda investiga o que pode ter motivado o ataque. Autoridades trabalham com a hipótese do crime ter sido uma retaliação ao conhecido ativismo da família contra grupos criminosos na região, mas também apuram se as mulheres e crianças foram confundidas com um comboio de uma organização criminosa rival em meio a um confronto entre integrantes de cartéis de drogas.

Ao jornal "The New York Times", Julian LeBarón, primo das três mulheres assassinadas e conhecido ativista, disse que a família viajava entre os estados de Sonora e Chihuahua, onde costumava fazer compras. Segundo ele, Rhonita, umas da vítimas, teve que interromper o trajeto após o pneu do carro que dirigia furar. Parada na estrada, ela foi atacada pelos criminosos. As quatro crianças que estavam no veículo também morreram. Um menino de 11 anos, uma menina de nove e dois bebês gêmeos de oito meses. Os criminosos também atearam fogo no veículo.

 

 

Os dois outros carros foram atacados a cerca de 13 km de distância. Além de Christina, que conseguiu salvar a filha, também foram assassinados Dawna Ray Langford, de 43 anos, e dois filhos dos nove que estavam com ela na viagem. As crianças assassinadas tinham apenas seis e quatro anos de idade.

Após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump se ofereceu para auxiliar o México no combate ao narcotráfico, dizendo que "eles ficaram tão grandes que, às vezes, você precisa de um Exército para combater um exército". Respondendo a oferta americana, o O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador afirmou que acredita não precisar de apoio estrangeiro para investigar casos como o da família LeBarón.

Integrante da família foi assassinado em 2010

Esta não é a primeira vez que os LeBarón são envolvidos incidentes criminais. Em 2010, o irmão e o cunhado de Julian foram mortos em uma aparente revanche após forças de segurança mexicanas prenderem traficantes. Desde então, ele se tornou um conhecido ativista e líder da comunidade mórmon na região, juntando-se ao Movimento pela Paz e Justiça com Dignidade, contra o narcotráfico.

Os mórmons de origem germânica se fixaram no México na década de 1920, vindos dos Estados Unidos. O grupo se separou da Igreja de Jesus Cristos dos Santos dos Últimos Dias após a instituição banir a poligamia, no final do século XIX.

O México tem sido alvo de uma onda de ataques nas últimas semanas, chocando até mesmo um país acostumado com a violência causada pela guerra às drogas. No dia 18 do mês passado, uma operação para prender Ovidio Guzmán López, uma das lideranças do cartel de Sinaloa, desencadeou tamanha onda de caos e violência que o governo se viu forçado a soltá-lo.



Publicidade