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Deputados governistas levam aos EUA defesa do Pix e pedem cooperação sem intervenção.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A comitiva foi formada por Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (MG), que afirmam representar 114 parlamentares de suas bancadas.
Segundo Jandira Feghali, a missão teve três frentes principais: reafirmar a autonomia do Brasil em temas econômicos, democráticos e políticos; entregar documentos a parlamentares e instituições americanas; e contestar medidas comerciais discutidas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
A deputada afirmou que os textos também tratam da defesa do Pix, descrito pela comitiva como uma ferramenta financeira brasileira que não deve sofrer interferência externa.
A agenda ocorreu em meio à conclusão preliminar de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, que classificou determinadas práticas brasileiras como
“irrazoáveis ou discriminatórias”e abriu caminho para a discussão de medidas comerciais, incluindo tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.
O governo brasileiro contestou a iniciativa e afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país ou contra o Pix.
No eixo de segurança pública, os parlamentares defenderam cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente em temas como tráfico de armas, tráfico de drogas, rastreamento de recursos e lavagem de dinheiro.
A comitiva, porém, reforçou que a cooperação deve ocorrer sem intervenção externa em assuntos internos do Brasil.
O debate ganhou peso adicional após os Estados Unidos formalizarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados.
A decisão americana ampliou a discussão sobre os efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos da medida, enquanto integrantes do governo brasileiro vêm defendendo cooperação policial e financeira sem abrir espaço para ações estrangeiras em território nacional.
Na Organização dos Estados Americanos, a delegação disse ter tratado de riscos ligados ao ambiente democrático no ano eleitoral brasileiro, incluindo crimes digitais e violência política física, de gênero e geral.
Segundo Feghali, foi solicitado acompanhamento da OEA por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e da Secretaria de Fortalecimento da Democracia.
A deputada afirmou que parlamentares americanos demonstraram abertura aos temas apresentados e que alguns se comprometeram a avaliar iniciativas relacionadas às demandas levadas pela comitiva.
Até o momento, não foram detalhadas publicamente quais medidas poderão ser adotadas nos Estados Unidos a partir dos encontros.