Deputados da base de Lula vão a Washington e defendem soberania e Pix contra interferência externa

Comitiva disse representar 114 parlamentares e levou documentos a instituições americanas, em meio a discussões sobre medidas comerciais e cooperação internacional contra o crime organizado.

06/06/2026 às 07:03 por Redação Plox

Um grupo de deputados federais da base do governo Lula esteve em Washington, nos Estados Unidos, entre 3 e 5 de junho, para defender a soberania brasileira e apresentar a instituições americanas uma versão contrária à narrativa de setores da direita sobre democracia, segurança pública e relações comerciais com o Brasil.

Deputados governistas levam aos EUA defesa do Pix e pedem cooperação sem intervenção.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A comitiva foi formada por Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (MG), que afirmam representar 114 parlamentares de suas bancadas. 

Documentos entregues

Segundo Jandira Feghali, a missão teve três frentes principais: reafirmar a autonomia do Brasil em temas econômicos, democráticos e políticos; entregar documentos a parlamentares e instituições americanas; e contestar medidas comerciais discutidas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

A deputada afirmou que os textos também tratam da defesa do Pix, descrito pela comitiva como uma ferramenta financeira brasileira que não deve sofrer interferência externa.

Pix e tarifas

A agenda ocorreu em meio à conclusão preliminar de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, que classificou determinadas práticas brasileiras como

“irrazoáveis ou discriminatórias”
e abriu caminho para a discussão de medidas comerciais, incluindo tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O governo brasileiro contestou a iniciativa e afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país ou contra o Pix.

Crime organizado e soberania

No eixo de segurança pública, os parlamentares defenderam cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente em temas como tráfico de armas, tráfico de drogas, rastreamento de recursos e lavagem de dinheiro.

A comitiva, porém, reforçou que a cooperação deve ocorrer sem intervenção externa em assuntos internos do Brasil.

PCC, CV e reação diplomática

O debate ganhou peso adicional após os Estados Unidos formalizarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados.

A decisão americana ampliou a discussão sobre os efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos da medida, enquanto integrantes do governo brasileiro vêm defendendo cooperação policial e financeira sem abrir espaço para ações estrangeiras em território nacional.

OEA e ano eleitoral

Na Organização dos Estados Americanos, a delegação disse ter tratado de riscos ligados ao ambiente democrático no ano eleitoral brasileiro, incluindo crimes digitais e violência política física, de gênero e geral.

Segundo Feghali, foi solicitado acompanhamento da OEA por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e da Secretaria de Fortalecimento da Democracia.

Próximos passos

A deputada afirmou que parlamentares americanos demonstraram abertura aos temas apresentados e que alguns se comprometeram a avaliar iniciativas relacionadas às demandas levadas pela comitiva.

Até o momento, não foram detalhadas publicamente quais medidas poderão ser adotadas nos Estados Unidos a partir dos encontros.

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