MP pede esclarecimentos sobre aposentadoria de tenente-coronel preso por suspeita de matar esposa

Promotoria apura possível irregularidade na ida do oficial à reserva remunerada após prisão preventiva e deu 15 dias para SSP e PM responderem; caso será julgado pela 5ª Vara do Júri de São Paulo.

07/05/2026 às 10:38 por Redação Plox

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu esclarecimentos sobre a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso há quase dois meses e acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Santana, com um tiro na cabeça. A solicitação foi encaminhada à Secretaria da Segurança Pública (SSP) e à Polícia Militar (PM) em 30 de abril.

A iniciativa busca apurar possíveis irregularidades no processo que transferiu o oficial para a reserva remunerada, mesmo após a prisão do réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual.


Segundo o MPSP, não há elementos que embasem a abertura de uma investigação, mas SSP e PM devem explicar aposentadoria de coronel em 15 dias.

Segundo o MPSP, não há elementos que embasem a abertura de uma investigação, mas SSP e PM devem explicar aposentadoria de coronel em 15 dias.

Foto: Reprodução/Polícia Civil.


Pedido do MPSP mira aposentadoria na reserva remunerada

O pedido da promotoria ocorreu após o deputado estadual Guilherme Cortez (PSol) apresentar uma notícia de fato ao MPSP. No documento, o parlamentar solicita a suspensão do ato administrativo que colocou o tenente-coronel na reserva, além da anulação da aposentadoria e do pagamento da pensão. Ele também pede a apuração de eventual desvio de finalidade no ato que aposentou o réu.

Apesar do relato apresentado pelo deputado, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social informou não ter identificado provas suficientes para abrir uma investigação neste momento. Ainda assim, deu prazo de 15 dias para que SSP e PM prestem esclarecimentos sobre a aposentadoria de Geraldo Neto.

Quais esclarecimentos foram solicitados

No ofício, o MPSP solicitou:

  1. Informações sobre o processo que levou à aposentadoria do tenente-coronel, com pagamento integral do salário, de aproximadamente R$ 21 mil, mesmo após a decretação da prisão preventiva do réu.
  2. Uma cópia do processo administrativo que culminou na transferência de Geraldo Neto para a reserva remunerada.
  3. Uma cópia integral do procedimento administrativo instaurado pela PM, com a finalidade de excluir Geraldo Neto dos quadros da instituição.
  4. Esclarecimentos sobre a atual situação funcional e previdenciária do tenente-coronel, bem como sobre a continuidade dos pagamentos da pensão de aposentadoria.

Ato de aposentadoria foi publicado no Diário Oficial

A aposentadoria de Geraldo Neto foi publicada no Diário Oficial do Estado em 2 de abril e determinou o pagamento do salário integral do oficial como forma de pensão.

De acordo com o Portal da Transparência do governo do estado e como já divulgado pelo Metrópoles, o coronel recebeu, em fevereiro de 2026, salário bruto de R$ 28.946,81, além de abono de R$ 2.995,43. O valor equivale a quatro vezes o que recebia a esposa, que ganhava R$ 7.222,33 mensais.

Relembre o caso

A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo.

Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas. Segundo o atestado de óbito, morreu horas depois por traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado. Depois, foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio. Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não correspondia à hipótese inicialmente apresentada.

Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.

A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel, após conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar do Estado de São Paulo em 18 de março, e ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Prisão e andamento do processo na Justiça comum

A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil em 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. Ele foi preso na manhã de 18 de março, em um condomínio residencial de São José dos Campos, exatamente um mês após a morte da esposa.

Ao chegar ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda.

O caso será julgado pela Justiça comum após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que definiu a responsabilidade da 5ª Vara do Júri de São Paulo, afastando a competência da Justiça Militar.

A definição foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que entendeu se tratar de crime doloso contra a vida, a ser julgado pelo Tribunal do Júri. Geraldo Neto responde pelo crime de feminicídio.

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