Anvisa determina recolhimento e suspende uso de produtos Ypê após alerta sobre bactéria

Medida vale para lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes com lotes terminados em 1; especialistas citam maior risco de infecção em pessoas imunossuprimidas, especialmente em ambiente hospitalar.

08/05/2026 às 20:44 por Redação Plox

A presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diferentes produtos da Ypê acendeu um alerta por se tratar de um micro-organismo conhecido pela alta resistência a antibióticos e pelo potencial de causar infecções, sobretudo em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho explicou que, em geral, ela se manifesta como problema de saúde principalmente em situações associadas ao ambiente hospitalar e a procedimentos invasivos


Bactéria Pseudomonas aeruginosa em diferentes produtos da Ypê acendeu um alerta por se tratar de um micro-organismo conhecido pela alta resistência a antibióticos.

Foto: Torvim/stock.adobe.com


De acordo com o especialista

De acordo com o especialista, por ser uma bactéria ambiental, capaz de permanecer viva na água, a contaminação pode ocorrer em itens úmidos do dia a dia, como esponjas usadas para lavar louça e panos de chão. Ele afirmou ainda que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, diferente de microrganismos que vivem normalmente no corpo humano, e citou que há outras bactérias ambientais que, em determinadas circunstâncias, também podem provocar doenças. Celso Ferreira é membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


Contaminação pode ocorrer em itens úmidos do dia a dia, como esponjas usadas para lavar louça e panos de chão.

Foto: AM ATUAL


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em decisão divulgada na quinta-feira (7), o recolhimento e a suspensão de uso, pelos consumidores, de lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com lotes cuja numeração termina em 1.

Celso Ferreira detalhou

Celso Ferreira detalhou que a bactéria pode estar associada a diferentes tipos de infecção em pessoas imunocomprometidas, incluindo quadros urinários e respiratórios, especialmente em pacientes com doenças pulmonares crônicas, como enfisema, ou em pessoas submetidas ao uso de cateter venoso e outros dispositivos. Ele citou, como exemplos, situações como traqueostomia, intubação e tratamentos como quimioterapia, que podem reduzir as defesas do organismo.


A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), reforçou que o maior risco ocorre quando indivíduos imunocomprometidos entram em contato com a bactéria. Ela lembrou que, em pacientes com fibrose cística, por exemplo, o micro-organismo é causa frequente de pneumonia e pode ser difícil de tratar. A docente acrescentou que, dependendo da cepa, a bactéria pode provocar infecções também em pessoas saudáveis, como a chamada “otite de nadador”, relacionada ao contato com águas recreativas.

Na avaliação de Raiane

Na avaliação de Raiane, o cenário mais grave é quando a bactéria alcança o ambiente hospitalar, onde a pressão seletiva pelo uso de antibióticos tende a favorecer microrganismos com múltiplas resistências. Ela apontou que, nesse contexto, podem surgir infecções associadas a sonda urinária, corrente sanguínea, pneumonia e ventilação mecânica, com maior complexidade no tratamento.

Sobre a possível origem

Sobre a possível origem, a médica afirmou que, por se desenvolver bem em solo, água e locais úmidos, a contaminação pode ter ocorrido durante a produção, diante de falhas no controle microbiológico e eventual contaminação de reagentes, com multiplicação em ambientes compatíveis com esses produtos. Ela observou que há níveis aceitáveis de contaminação microbiana em diferentes itens, mas que esses limites não podem ser ultrapassados, sobretudo pelo risco a pessoas com imunidade comprometida.

Em comunicado divulgado na quinta-feira (7)

Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê informou que está colaborando integralmente com a Anvisa e afirmou estar conduzindo ações com prioridade, responsabilidade e transparência. A empresa disse ainda que realiza análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes apresentados à Agência, e que incorporará eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias ao Plano de Ação e Conformidade Regulatória desenvolvido em conjunto com a Anvisa desde dezembro de 2025

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