Marcos Livi encerra teste de escala 5×2 após efeitos em rotina, gorjetas e produtividade
Experiência ocorreu entre janeiro e março em cinco restaurantes e um hotel, mas o grupo voltou ao modelo anterior após não atingir o resultado esperado.
09/05/2026 às 09:38por Redação Plox
09/05/2026 às 09:38
— por Redação Plox
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O chef e empresário gaúcho Marcos Livi, sócio-fundador do grupo Bah, decidiu experimentar a escala 5×2 em parte de suas operações, mas encerrou a iniciativa após considerar que o teste não entregou o resultado esperado. A mudança foi aplicada de forma temporária no primeiro trimestre deste ano e, ao final do período, a empresa voltou ao modelo anterior.
Teste aconteceu no primeiro trimestre e envolveu restaurantes e um hotel
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Livi relatou que a escala foi adotada de maneira experimental entre janeiro e março em cinco restaurantes e um hotel. Hoje, segundo ele, o empresário administra oito negócios e mantém um quadro com mais de 150 funcionários.
Carteira de trabalho
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
Adaptação dos funcionários foi apontada como principal obstáculo
De acordo com Livi, a maior dificuldade apareceu na rotina das equipes. Como a carga semanal permaneceu em 44 horas, o formato exigiu que o expediente diário fosse estendido, o que alterou compromissos pessoais de parte dos colaboradores, especialmente de quem tem filhos ou atividades ligadas à educação.
– O entendimento [da escala 5×2] pelos colaboradores foi dificílimo. Como a jornada de trabalho continuou de 44 horas, isso fez com que aumentasse em uma hora a carga nos dias trabalhados, o que mexeu na rotina das pessoas – declarou.
Marcos Livi
Quais unidades participaram da experiência
Participaram do teste os restaurantes Brique, Quintana Bar e Veríssimo Bar, em São Paulo; o restaurante Vistta, em Santa Catarina; e o Cozinha Ana Terra, que funciona no hotel Parador Hampel, no Rio Grande do Sul.
Queda de produtividade e efeitos no caixa também entraram na avaliação
Além do impacto sobre a organização das equipes, o empresário disse que o novo arranjo trouxe consequências operacionais e financeiras. Entre os pontos citados, ele mencionou redução no valor das gorjetas, já que a divisão passou a ser feita entre mais pessoas, e uma queda de produtividade, pois foi necessário ampliar o número de funcionários para cobrir as folgas.
Retorno ao modelo anterior e crítica ao debate sobre jornada
Livi afirmou que a intenção era medir, na prática, os efeitos de uma possível mudança legal no país em meio à discussão sobre o fim da escala 6×1. Passados três meses, a empresa decidiu reverter a alteração; segundo ele, a volta ao formato anterior “deixou a equipe aliviada”. Ele também criticou propostas defendidas por setores alinhados ao governo Lula, classificando a pauta como “eleitoreira”, e avaliou que mudanças obrigatórias podem reduzir a qualidade dos serviços e afetar empregos.