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O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, citou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em propostas de colaboração premiada apresentadas à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal. Segundo informações reveladas pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, e reproduzidas por outros veículos, Vorcaro afirmou que teria repassado cerca de R$ 20 milhões, via caixa 2, à campanha de Silveira ao Senado por Minas Gerais em 2022.
Daniel Vorcaro
Foto: Agência Brasil
A acusação aparece em minutas de delação que ainda não foram homologadas. Investigadores avaliam que os relatos apresentados até agora não trazem elementos suficientes para confirmar a versão, especialmente pela falta de detalhes sobre a forma dos supostos repasses e sobre eventual contrapartida ligada ao dinheiro mencionado.
Silveira, que hoje integra o primeiro escalão do governo Lula, disputou a eleição de 2022 pelo PSD em Minas Gerais, mas não conseguiu se reeleger ao Senado. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele não mantinha relação com Vorcaro no período eleitoral e classificam a alegação como sem fundamento. Até o momento, não há decisão judicial que valide o conteúdo da colaboração.
A consulta pública do Tribunal Superior Eleitoral reúne dados de candidaturas e contas de campanha. Segundo a reportagem original, não há registro de doações oficiais feitas à campanha de Silveira por Daniel Vorcaro ou por Fabiano Zettel, cunhado do empresário e apontado como operador financeiro ligado ao banqueiro.
Apesar da negativa de relação no período eleitoral, reportagens registraram contatos posteriores entre Silveira e Vorcaro. Em abril, a Folha de S.Paulo publicou que mensagens indicavam um encontro entre o então banqueiro, o ministro e um empresário da mineração em uma casa em Belo Horizonte, durante o segundo turno das eleições municipais de 2024. Na ocasião, o Ministério de Minas e Energia afirmou que Silveira mantém interlocução institucional com agentes públicos e privados e rechaçou qualquer associação a interesses indevidos.
Daniel Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A Agência Brasil registrou que a investigação começou a partir de indícios de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, que teriam sido negociadas com o BRB. A primeira fase da operação, em novembro de 2025, levou à prisão de Vorcaro e de outros investigados.
As negociações para eventual colaboração premiada seguem em análise pelas autoridades. A PF já havia apontado resistência ao acordo proposto por Vorcaro, e qualquer delação só terá validade jurídica se for aceita pela PGR e homologada pelo Supremo Tribunal Federal.