Um ano após morte de Herus no Santo Amaro, pai cobra Justiça e caso segue sem data para julgamento
Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 23 anos, foi baleado durante uma operação do Bope; dois policiais viraram réus após denúncia do MPRJ aceita pela Justiça do Rio.
10/06/2026 às 11:19por Redação Plox
10/06/2026 às 11:19
— por Redação Plox
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Um ano após a morte do office-boy Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 23 anos, durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o pai da vítima voltou a cobrar responsabilização. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (10), ele afirmou não entender por que, na visão da família,
as leis não valem para policiais
e disse que ainda não recebeu pedido de desculpas.
Coronel Aristheu de Góes Lopes assumiu posto no comando do Bope
Foto: Reprodução
Herus foi baleado na madrugada de 7 de junho de 2025, quando havia uma festa junina na comunidade. O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos que registraram o momento em que um agente atira durante a ação.
O processo teve avanço em 4 de fevereiro, quando a Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e tornou réus, por homicídio, o 1º sargento Daniel Sousa da Silva e o 1º tenente Felippe Carlos de Souza Martins. Daniel, segundo a apuração divulgada, teria sido o único policial a efetuar disparos no local, com 13 tiros. Até a última atualização, não havia definição sobre submissão dos réus ao júri popular nem data para julgamento.
O que diz o MP e como os policiais foram denunciados
Publicação da nomeação de Aristheu de Goes Lopes no Diário Oficial desta segunda-feira (8)
Foto: Reprodução
Na denúncia, o MPRJ sustenta que as imagens das câmeras corporais indicariam que Herus tentou se afastar e se proteger, sem atitude agressiva, e que foi atingido quando estava de costas. Já o sargento Daniel declarou, em depoimento, que os disparos teriam sido uma reação a tiros de traficantes, versão que diverge do primeiro posicionamento divulgado pela corporação na época, segundo a reportagem.
O tenente Felippe, apontado como comandante da equipe, foi denunciado sob suspeita de omissão penalmente relevante, por ter mantido a operação mesmo após informação de que havia um evento com grande circulação de moradores, incluindo crianças. O enquadramento citado na reportagem inclui homicídio qualificado, e a Justiça determinou medidas cautelares (os detalhes completos das medidas não foram informados no material encaminhado à redação).
Indenização e pensão ao filho
Herus G Mendes
Foto: Reprodução
Ainda de acordo com as informações publicadas, o governo estadual se comprometeu a pagar indenização por danos morais aos familiares e pensão mensal ao filho de Herus, que tem 3 anos, até os 18 anos — ou 24, caso esteja cursando ensino superior. A família, contudo, afirma que a medida não encerra a cobrança por responsabilização criminal.
Outro caso envolvendo o tenente denunciado
O pai de Herus também mencionou um episódio anterior envolvendo o tenente Felippe: o MPRJ denunciou o policial e outros agentes por suposta violação de domicílio e outros crimes durante uma operação no Complexo da Maré, em 10 de janeiro de 2025, com relatos de entrada em residências sem autorização e sem ordem judicial, conforme descrição atribuída ao Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) na reportagem.
Procurados na apuração citada, os responsáveis pela reportagem informaram que não localizaram a defesa dos policiais denunciados. O caso segue em tramitação na Justiça do Rio, sem previsão pública de desfecho até a data de referência desta edição.