Filha acusa negligência em morte após vacina contra dengue; Saúde investiga e suspende Butantan-DV no país

Caso envolve moradora de Paranapanema (SP) e é apurado como óbito suspeito após a aplicação do imunizante; Ministério da Saúde anunciou a descontinuação temporária da estratégia de vacinação, e a Anvisa informou que criará um painel de especialistas.

10/06/2026 às 09:49 por Redação Plox

A morte de uma moradora de Paranapanema (SP), registrada em 1º de março de 2026, passou a ser investigada como óbito suspeito após a aplicação da vacina contra a dengue Butantan-DV. A filha da vítima, a auxiliar Daiane Diniz, afirma que a mãe não recebeu a assistência adequada no hospital municipal onde trabalhava e aponta possível negligência no atendimento inicial, antes da transferência para Avaré.

Imunizante contra a dengue produzido pelo Instituto Butantan

Imunizante contra a dengue produzido pelo Instituto Butantan

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo


De acordo com relato apresentado pela família, Ângela Diniz Marques, de 48 anos, recebeu a dose em 29 de janeiro por ser funcionária do Hospital Municipal Leonardo Van Melis. Por volta de 13 de fevereiro, ela teria começado a apresentar sintomas como manchas pelo corpo, dores, mal-estar e vômitos, e buscou atendimento na unidade local, onde recebeu medicação para náuseas e foi liberada. A filha sustenta que a situação se agravou nas horas seguintes e que houve falhas na condução do caso.

Transferência e linhas de investigação

A família relata que Ângela precisou ser levada novamente ao hospital municipal e depois foi transferida para a Santa Casa de Misericórdia de Avaré. Segundo as informações mencionadas pela filha, a paciente teria dado entrada com hipóteses clínicas como meningite e AVC, e posteriormente o quadro foi analisado também sob a suspeita de complicações pós-vacinais. O laudo necroscópico ainda não havia sido divulgado; a previsão informada é de saída em julho de 2026.

Antes do falecimento, a família registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser apurado pela Polícia Civil, sob a linha de investigação de lesão corporal, segundo o relato da filha. Procurada pela emissora regional que repercutiu o caso, a Prefeitura de Paranapanema informou que abriu sindicância para apurar as alegações, em procedimento que tramita sob sigilo, e afirmou seguir as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa sobre a vacinação.

Suspensão nacional da Butantan-DV e orientação a vacinados

Aplicação da vacina contra a dengue é interrompida

Aplicação da vacina contra a dengue é interrompida

Foto: Divulgação/Instituto Butantan


O caso ocorre no mesmo momento em que o Ministério da Saúde anunciou, em 8 de junho de 2026, a descontinuação temporária da estratégia atual de vacinação com a Butantan-DV, como medida de precaução após o registro de 42 casos com sinais de alerta que serão investigados. A pasta reforçou que, até o momento, não é possível afirmar relação causal entre os óbitos em apuração e a vacina.

A Anvisa informou que vai instituir um painel de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica sobre a vacina do Instituto Butantan. Já o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas, especialmente nos 21 dias após a aplicação, procurem atendimento em caso de agravamento ou sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e piora do estado geral.

Procurados, órgãos estaduais de segurança e as instituições envolvidas podem atualizar as informações conforme a apuração avance e laudos forem concluídos. Até lá, o caso segue sob investigação, sem conclusão oficial sobre causa e eventual nexo com a vacinação.

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