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A presença reduzida do PT nos maiores colégios eleitorais do país acendeu um sinal de alerta no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da disputa de 2026. A preocupação se concentra nas 200 maiores cidades brasileiras, grupo que reúne cerca de metade do eleitorado e onde levantamentos divulgados pela imprensa apontam uma sequência de resultados desfavoráveis à legenda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após participar da cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e assinatura do veto integral ao PL da Dosimetria, no Palácio do Planalto.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Nesse recorte, o PT elegeu 37 prefeitos em 2012. O número caiu para nove em 2016, após o desgaste provocado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, permaneceu em nove em 2020 e chegou a oito em 2024. Entre as capitais, a única vitória petista no último pleito municipal foi em Fortaleza (CE), com Evandro Leitão.
O resultado contrasta com o desempenho nacional do partido nas eleições municipais. No total do país, o próprio PT informou que terminou 2024 com 252 prefeituras conquistadas. O ponto de preocupação, portanto, não está apenas na quantidade geral de municípios administrados, mas na dificuldade de recuperar espaço nos centros urbanos mais populosos e politicamente influentes.
O desempenho nas maiores cidades também aparece como problema nas disputas presidenciais recentes. Segundo levantamento divulgado por O Globo e reproduzido por outros veículos, candidatos petistas ficaram atrás dos adversários na soma dos votos válidos desse grupo nas últimas três eleições presidenciais.
Em 2022, Lula teria alcançado 47,2% dos votos válidos nas 200 maiores cidades, contra 52,8% de Jair Bolsonaro. No resultado nacional oficial, o petista venceu a eleição com 50,90% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro recebeu 49,10%, conforme a totalização final do Tribunal Superior Eleitoral.
A reação já mobiliza a direção nacional da legenda. O TSE registra Edson Antônio Edinho da Silva como presidente nacional do PT. De acordo com reportagem de O Globo, Edinho, apontado como um dos articuladores da campanha presidencial, convocou dirigentes de grandes municípios para discutir uma estratégia voltada a ampliar a presença digital do partido, formar porta-vozes locais e concentrar agendas em cidades consideradas estratégicas.
Movimentos recentes do PT reforçam essa direção. Nesta quarta-feira (10), a legenda lançou o projeto Porta-Vozes de Lula, apresentado como uma iniciativa para conectar militantes, aliados e lideranças políticas e fortalecer a atuação nas redes sociais.
A avaliação interna é que os grandes centros podem influenciar diretamente o ambiente eleitoral de 2026, tanto pelo peso numérico do eleitorado quanto pela força desses municípios na circulação do debate político. O desafio do PT será transformar sua presença nacional e sua capilaridade fora das capitais em recuperação nos principais colégios eleitorais antes da campanha oficial.