Justiça condena ex-vereador de Itabira e aliado por esquema de “rachadinha”

Sentença aponta exigência de devolução de salário sob ameaça de exoneração e cita coação e corrupção de testemunha durante o processo.

11/05/2026 às 07:13 por Redação Plox

A Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e condenou um ex-vereador de Itabira e um aliado dele por um esquema de “rachadinha” envolvendo servidores comissionados da Câmara Municipal.

Na decisão, o ex-parlamentar recebeu pena superior a oito anos de reclusão, enquanto o outro condenado teve fixada uma pena acima de cinco anos.

Exigências se repetiram entre 2017 e 2018

Conforme reconhecido na sentença, o ex-vereador cobrou, em 33 ocasiões, que funcionários do gabinete devolvessem parte do salário como condição para continuarem nos cargos.

O Judiciário apontou que as exigências ocorreram com abuso da função pública e sob ameaça de exoneração.

As apurações indicaram que as devoluções aconteciam de forma mensal, em dinheiro, logo após o pagamento dos vencimentos.

Entre os elementos considerados na condenação estão depoimentos, documentos e registros de movimentações bancárias.

Investigação do MPMG e Polícia Civil reuniu provas

A ação penal foi apresentada pelo MPMG, por meio da 6ª Promotoria de Justiça de Itabira, que conduziu as investigações em conjunto com a Polícia Civil.

Segundo o que foi apurado, ao menos cinco servidores que ocupavam cargos em comissão no gabinete do parlamentar foram atingidos pelo esquema.

De acordo com a investigação, os repasses exigidos dos servidores eram justificados como forma de custear campanhas eleitorais e projetos pessoais do ex-vereador.

De acordo com a investigação, os repasses exigidos dos servidores eram justificados como forma de custear campanhas eleitorais e projetos pessoais do ex-vereador

De acordo com a investigação, os repasses exigidos dos servidores eram justificados como forma de custear campanhas eleitorais e projetos pessoais do ex-vereador

Foto: Divulgação


Tentativa de interferência nas apurações também entrou na condenação

Além das cobranças reiteradas de vantagem indevida, a decisão judicial também considerou crimes relacionados a tentativas de dificultar o esclarecimento do caso.

A sentença registrou que houve pressão e promessa de benefícios para que uma vítima mudasse ou omitisse informações ao prestar depoimento às autoridades, o que caracterizou coação no curso do processo e corrupção de testemunha.

Penas e regimes de cumprimento

Ao fim do julgamento, foi determinado que o ex-vereador inicie o cumprimento da pena em regime fechado, além do pagamento de multa.

Já o aliado dele foi condenado pelos crimes ligados à interferência nas investigações, com pena a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto.

A sentença ressaltou a gravidade das condutas, a repetição dos atos e os efeitos negativos para a administração pública.

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