Primeiro óbito por hantavírus no Brasil em 2026 é confirmado em Minas Gerais
Vítima tinha 46 anos, morava em Carmo do Paranaíba e teve contato com roedores silvestres em área de lavoura, segundo a secretaria.
11/05/2026 às 07:20por Redação Plox
11/05/2026 às 07:20
— por Redação Plox
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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou neste domingo (10) a confirmação de um caso de hantavirose que evoluiu para óbito no estado. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) foi responsável por atestar a infecção. Conforme o comunicado, este é, até agora, o primeiro e único registro fatal da doença no Brasil em 2026.
De acordo com a SES-MG, a vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, na região do Alto Paranaíba. A secretaria relatou que ele tinha histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura e classificou a ocorrência como um caso isolado, sem ligação com outros registros.
Imagem ilustrativa.
Foto: Freepik.
Doença costuma estar ligada a ambientes rurais
As infecções por hantavírus são mais frequentes em áreas rurais e, em geral, aparecem associadas a atividades agrícolas e a situações em que há contato com locais que podem estar infestados por roedores silvestres.
A SES-MG também ressaltou que não há tratamento específico para a hantavirose. Segundo a pasta, o cuidado é baseado em medidas de suporte clínico, definidas conforme avaliação médica.
Cuidados recomendados para reduzir o risco
Ao reforçar orientações preventivas — sobretudo para quem vive no meio rural — a secretaria listou medidas como armazenar alimentos em recipientes fechados, evitar o acúmulo de lixo e entulho, manter terrenos limpos, não deixar ração de animais exposta e ventilar locais fechados antes de entrar.
Outra recomendação é que a limpeza de paióis, galpões, depósitos e armazéns seja feita com o chão umedecido com água e sabão, para evitar a varrição a seco.
Entenda o que é a hantavirose
A hantavirose é uma zoonose viral aguda. No Brasil, a infecção em humanos se manifesta principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), quadro que pode causar complicações graves nos pulmões e no coração.
Os hantavírus têm como reservatórios naturais alguns roedores silvestres. Esses animais podem carregar o vírus por toda a vida sem apresentar sintomas e o eliminam pela urina, saliva e fezes, o que cria risco de transmissão para pessoas.
Como acontece a transmissão
A forma mais comum de infecção ocorre quando há inalação de partículas contaminadas suspensas no ar, formadas a partir das excretas de roedores infectados. O contágio também pode ocorrer por mordidas, pelo contato do vírus com mucosas — como boca, nariz e olhos — a partir de mãos contaminadas e, em episódios raros registrados na Argentina e no Chile, de pessoa para pessoa.
O período de incubação varia de três a 60 dias, com média entre uma e cinco semanas. Especialistas citam que fatores como desmatamento, expansão urbana em áreas rurais e grandes plantações favorecem o aumento de roedores silvestres e, com isso, elevam o risco de transmissão.
Sinais e sintomas da doença
No início, a hantavirose pode provocar febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal e sintomas gastrointestinais. Em quadros mais graves, há progressão para a fase cardiopulmonar, com falta de ar, respiração acelerada, aumento dos batimentos cardíacos, tosse seca e queda da pressão arterial.
Entre as orientações preventivas, estão evitar entrar em locais fechados com sinais de infestação por roedores sem a limpeza adequada, manter alimentos e lixo bem armazenados em acampamentos e não se deitar diretamente no solo em áreas rurais ou de mata.