MG registra 1ª morte por hantavírus em 2026; Saúde diz que não há risco de surto

Homem de 46 anos, de Carmo do Paranaíba, morreu em 8 de fevereiro; SES-MG confirmou o caso após questionamento de O TEMPO e reforçou orientações para áreas rurais

11/05/2026 às 11:53 por Redação Plox

Minas Gerais registrou a primeira morte por hantavírus no Estado em 2026, mas, segundo o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, o cenário não indica risco de surto. Em entrevista a O TEMPO, ele disse que o vírus identificado em território mineiro não tem característica de transmissão entre pessoas e reforçou a necessidade de orientação, sobretudo para moradores e trabalhadores de áreas rurais.

Fábio Baccheretti afirma que não há risco de transmissão entre humanos.

Fábio Baccheretti afirma que não há risco de transmissão entre humanos.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.



A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que morreu em 8 de fevereiro. A confirmação do óbito foi divulgada no domingo (10/5), após a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). De acordo com o que foi informado, trata-se também da única morte por hantavírus registrada no Brasil em 2026.

Secretário afasta possibilidade de disseminação entre pessoas

Nos últimos dias, o tema voltou ao noticiário por causa de um surto em um navio de cruzeiro que fazia a rota da Argentina para Cabo Verde. No MV Hondius, três passageiros morreram e outros foram infectados por um vírus considerado incomum, que costuma se espalhar a partir de fezes e urina de roedores.


Ao comentar o caso mineiro, Baccheretti destacou que o hantavírus já circula historicamente em Minas Gerais e em outras regiões, com registros anuais. Ele também comparou a ocorrência recente com números de anos anteriores: em 2026, foram dois casos; em 2025, seis. No ano passado, houve quatro mortes, enquanto neste ano foi confirmado um óbito — o que, segundo ele, mantém a situação dentro do padrão observado.


O secretário explicou ainda que, em Minas, o vírus está associado a roedores silvestres, e não aos roedores urbanos, como os encontrados em áreas densamente habitadas. A principal forma de exposição, conforme relatou, envolve contato com saliva, fezes e urina, especialmente ao manusear locais contaminados e depois levar as mãos à boca.


Outro ponto destacado foi o risco em ambientes rurais fechados — como espaços onde há presença desses animais e resíduos acumulados. Nessas condições, a limpeza pode levantar poeira contaminada, favorecendo a transmissão. Ao final, Baccheretti reforçou que não há risco de surto e não há transmissão entre humanos, e que a prioridade deve ser manter o trabalho de orientação voltado à população rural.

Como foi o caso confirmado em Carmo do Paranaíba

Segundo as informações repassadas, o paciente teve histórico de contato com roedor silvestre em uma lavoura de milho. Os sintomas começaram em 2 de fevereiro, com dor de cabeça. Quatro dias depois, ele buscou atendimento médico com febre, dores musculares, nas articulações e na região lombar.


Foram coletadas amostras biológicas e encaminhadas à Fundação Ezequiel Dias (Funed). O resultado indicou sorologia IgM reagente para hantavírus. Em 8 de fevereiro, o paciente evoluiu para óbito.

Orientações de prevenção contra hantavírus

Entre as recomendações listadas para reduzir o risco de exposição estão medidas de controle e higiene em áreas com possibilidade de presença de roedores: guardar alimentos em recipientes fechados e resistentes, dar destino adequado a entulhos, roçar o terreno ao redor da casa e evitar deixar rações de animais expostas.


Também consta a orientação de retirar diariamente sobras de alimentos de animais domésticos, enterrar o lixo orgânico a pelo menos 30 metros das construções e manter o plantio a uma distância mínima de 40 metros de edificações.


Em propriedades fechadas, como paiol, armazém, galpões e depósitos em áreas rurais e de mata, a recomendação é ventilar bem o ambiente antes de entrar e umedecer o chão com água e sabão, evitando varrer a seco para não suspender poeira potencialmente contaminada.

Sinais da doença: do início ao quadro cardiopulmonar

Na fase inicial, a hantavirose pode se apresentar com febre, dor nas articulações, dor de cabeça, dor lombar, dor abdominal e sintomas gastrointestinais.


Já na fase cardiopulmonar, podem surgir febre, dificuldade para respirar, respiração acelerada, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca e pressão baixa. O secretário afirmou que a letalidade varia de 30% a 50%, índice considerado alto.

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