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Brasileiros já retiraram R$ 15 bilhões em dinheiro esquecido em bancos, consórcios, financeiras, corretoras e outras instituições do sistema financeiro. O balanço mais recente do Sistema de Valores a Receber, do Banco Central, foi divulgado nesta terça-feira (9) e mostra que, apenas em abril, foram sacados R$ 482,8 milhões.
Milhões de brasileiros já recuperaram recursos esquecidos em instituições financeiras por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.
Apesar do volume já devolvido, ainda havia R$ 10,3 bilhões disponíveis para saque até abril. Para facilitar novas devoluções, o Banco Central passou a permitir a solicitação automática de resgate por meio do Pix. A opção é exclusiva para pessoas físicas que tenham chave Pix vinculada ao CPF e depende de adesão voluntária do cidadão.
Com a função ativada, a pessoa não precisa consultar o sistema repetidamente nem fazer um pedido manual a cada novo valor localizado. Se alguma instituição financeira disponibilizar dinheiro em nome do titular, o crédito poderá ser feito diretamente na conta associada. O BC informou, no entanto, que não envia avisos sobre valores devolvidos.
A consulta é gratuita e deve ser feita no Sistema de Valores a Receber, do Banco Central. Para verificar se existe saldo, o cidadão informa CPF e data de nascimento. Empresas devem consultar com CNPJ e data de abertura, inclusive nos casos de pessoas jurídicas já encerradas.
Quando há valor disponível, o acesso aos detalhes exige conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas. O sistema mostra o valor, a origem do recurso, a instituição responsável pela devolução e as formas de recebimento. Também é possível solicitar o resgate diretamente ao banco ou à instituição onde o dinheiro ficou parado.
Até o fim de abril, 41,4 milhões de beneficiários já haviam resgatado valores pelo SVR. Por outro lado, 50,3 milhões ainda não tinham retirado os recursos, sendo 45,3 milhões de pessoas físicas e pouco mais de 5 milhões de empresas.
A maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas a receber. Segundo o balanço, valores de até R$ 10 concentram 64,57% dos casos. Outros 23,42% têm entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,91% possuem de R$ 100,01 a R$ 1 mil. Apenas 2,1% dos beneficiários têm direito a mais de R$ 1 mil.
Parte do dinheiro não resgatado foi transferida pelo governo federal ao Fundo de Garantia de Operações, usado como garantia nas renegociações do Desenrola Brasil 2.0. Segundo o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões foram destinados ao fundo.
Os titulares continuam com direito aos valores transferidos. Um edital de chamamento público deverá regulamentar o procedimento para contestação e devolução. Após a publicação das regras, os cidadãos terão prazo de 30 dias para solicitar os recursos; caso não haja contestação, o dinheiro será incorporado definitivamente ao fundo.
O Banco Central reforça que todos os serviços do Sistema de Valores a Receber são gratuitos. A autarquia afirma que não envia links, não entra em contato para tratar de valores esquecidos e não pede senhas ou dados pessoais por mensagens. A orientação é acessar somente os canais oficiais do governo e desconfiar de intermediários que prometam liberar dinheiro mediante pagamento.