Brasileiros já sacaram R$ 15 bilhões em valores esquecidos, diz Banco Central

Balanço do SVR aponta que ainda havia R$ 10,3 bilhões disponíveis até abril e que pessoas físicas podem aderir ao resgate automático via Pix com chave vinculada ao CPF; BC alerta para golpes.

11/06/2026 às 00:25 por Redação Plox

Brasileiros já retiraram R$ 15 bilhões em dinheiro esquecido em bancos, consórcios, financeiras, corretoras e outras instituições do sistema financeiro. O balanço mais recente do Sistema de Valores a Receber, do Banco Central, foi divulgado nesta terça-feira (9) e mostra que, apenas em abril, foram sacados R$ 482,8 milhões.

Milhões de brasileiros já recuperaram recursos esquecidos em instituições financeiras por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.

Milhões de brasileiros já recuperaram recursos esquecidos em instituições financeiras por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

Como funciona o resgate automático

Apesar do volume já devolvido, ainda havia R$ 10,3 bilhões disponíveis para saque até abril. Para facilitar novas devoluções, o Banco Central passou a permitir a solicitação automática de resgate por meio do Pix. A opção é exclusiva para pessoas físicas que tenham chave Pix vinculada ao CPF e depende de adesão voluntária do cidadão.

Com a função ativada, a pessoa não precisa consultar o sistema repetidamente nem fazer um pedido manual a cada novo valor localizado. Se alguma instituição financeira disponibilizar dinheiro em nome do titular, o crédito poderá ser feito diretamente na conta associada. O BC informou, no entanto, que não envia avisos sobre valores devolvidos.

Como consultar se há dinheiro a receber

A consulta é gratuita e deve ser feita no Sistema de Valores a Receber, do Banco Central. Para verificar se existe saldo, o cidadão informa CPF e data de nascimento. Empresas devem consultar com CNPJ e data de abertura, inclusive nos casos de pessoas jurídicas já encerradas.

Quando há valor disponível, o acesso aos detalhes exige conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas. O sistema mostra o valor, a origem do recurso, a instituição responsável pela devolução e as formas de recebimento. Também é possível solicitar o resgate diretamente ao banco ou à instituição onde o dinheiro ficou parado.

Mais de 50 milhões ainda não sacaram

Até o fim de abril, 41,4 milhões de beneficiários já haviam resgatado valores pelo SVR. Por outro lado, 50,3 milhões ainda não tinham retirado os recursos, sendo 45,3 milhões de pessoas físicas e pouco mais de 5 milhões de empresas.

A maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas a receber. Segundo o balanço, valores de até R$ 10 concentram 64,57% dos casos. Outros 23,42% têm entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,91% possuem de R$ 100,01 a R$ 1 mil. Apenas 2,1% dos beneficiários têm direito a mais de R$ 1 mil.

Parte dos recursos foi para fundo do Desenrola

Parte do dinheiro não resgatado foi transferida pelo governo federal ao Fundo de Garantia de Operações, usado como garantia nas renegociações do Desenrola Brasil 2.0. Segundo o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões foram destinados ao fundo.

Os titulares continuam com direito aos valores transferidos. Um edital de chamamento público deverá regulamentar o procedimento para contestação e devolução. Após a publicação das regras, os cidadãos terão prazo de 30 dias para solicitar os recursos; caso não haja contestação, o dinheiro será incorporado definitivamente ao fundo.

Alerta contra golpes

O Banco Central reforça que todos os serviços do Sistema de Valores a Receber são gratuitos. A autarquia afirma que não envia links, não entra em contato para tratar de valores esquecidos e não pede senhas ou dados pessoais por mensagens. A orientação é acessar somente os canais oficiais do governo e desconfiar de intermediários que prometam liberar dinheiro mediante pagamento.

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