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    Ataques de 11 de setembro iniciaram nova era na política internacional

    Para analistas, a ação de extremistas que vimos hoje é um dos ‘legados’ do atentado

    Por Plox

    11/09/2021 11h08 - Atualizado há 7 dias

    Após os atentados ao World Trade Center, em 2001, analistas de relações internacionais diziam que o mundo jamais seria o mesmo. Hoje, eles consideram a perspectiva um exagero, mas  concordam que o episódio foi um marco que iniciou um novo capítulo na história, com repercussões no mundo inteiro que são sentidas ainda hoje, 20 anos depois dos ataques aos Estados Unidos. A despeito do que disse o presidente Joe Biden no discurso em que justificou a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão, as “ameaças de 2001” não estão tão distantes e, na visão dos analistas, ainda podem assombrar o país.

    Professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Carlos Poggio avalia que os grupos nacionalistas que desafiaram a democracia norte-americana em janeiro deste ano e são assunto constante no noticiário norte-americano, por exemplo, têm uma ligação, ainda que tênue, com os acontecimentos de setembro de 2001.

    “O mundo de hoje tem diferenças importantes com o mundo de então. Mas você pode fazer uma linha do tempo que começa em 11 de setembro de 2001 e termina no 6 de janeiro de 2021, com a invasão do Capitólio. O 11 de Setembro aprofundou, de certa forma, alguma posição mais xenofóbica em parcela da população norte-americana, com nacionalistas e extremistas. Não é uma ligação direta ou muito óbvia, mas é possível que os atentados tenham criado um caldo social que deu condições para o que vemos hoje”, avalia.  

    Já o professor de política internacional, estratégia, defesa e inteligência da PUC Minas Eugenio Diniz pondera que a atual agitação social dos EUA relaciona-se a questões muito anteriores ao 11 de Setembro, como o racismo, e destaca que um dos problemas que os norte-americanos podem enfrentar neste momento é uma retomada de força do terrorismo.

    “Antes, houve um esforço concentrado, articulado e liderado politicamente pelos EUA, que enfraqueceu a capacidade de ação de grupos terroristas. Mas, com esses últimos acontecimentos, aumenta-se significativamente a capacidade de ação desses grupos”, reflete, mencionando o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão.  

    Com o fim da Guerra Fria, no começo da década de 90, os EUA viam-se solitários como a grande potência no cenário internacional, fora da sombra da antiga União Soviética. O ataque às Torres Gêmeas, porém, lançou um novo inimigo no cenário. Para o Brasil, isso significou um aumento de protagonismo na América Latina, na avaliação do professor de segurança internacional no Ibmec, Oswaldo Dehon.

    Foto: HENNY RAY ABRAMS / AFP
    Foto: HENNY RAY ABRAMS / AFP
     

    “O distanciamento do foco e diminuição ou desinteresse norte-americano sobre a região permitiu que o Brasil avançasse como potência regional. O país ampliou o elo com vizinhos, em parte realizando tarefas que antes cabiam aos EUA na área de segurança e paz. Não por acaso, passamos a atuar no Haiti. Começamos a agir em nome de alianças globais. Os EUA combatiam terroristas. Seus aliados, como o Brasil, podiam resolver questões de segurança e paz”, explica.  

    A militarização e demonstração de força dos EUA naquela época tiveram paralelos em outras partes do globo. “Havia um aumento do multilateralismo e prevalência do sistema liberal capitalista. Depois do atentado, houve a volta do territorialismo, recrudescimento das fronteiras, um fortalecimento do Estado, acirramento da questão do extremismo e a volta da religião na discussão nacional”, pontua o professor de relações internacionais da PUC Minas Jorge Lasmar.

    Agora, duas décadas depois e com a crescente ascensão da China, o cenário de disputa entre potências, como na Guerra Fria, retorna ao centro do jogo político internacional. 

    Atentados da escala do 11 de setembro ainda são possíveis 

    Desde 2001, nunca mais se viu um atentado com as dimensões cinematográficas do ataque às Torres Gêmeas — embora o terrorismo não tenha deixado de existir e atos extremistas tenham continuado a ocorrer nos EUA e na Europa, por exemplo. Especialistas não descartam, entretanto, que investidas em escala voltem a ocorrer.  

    “É possível, mas não necessariamente provável. Grupos ainda têm interesse nisso. A guerra ao terror continua, mas não mais sobre essa guisa, e ela deixa de ser o ponto central da política externa norte-americana”, avalia o professor de relações internacionais da PUC Minas Jorge Lasmar.  

    Em meio a outras formas de terrorismo, como ataques cibernéticos, o professor Carlos Poggio ressalta que os perigos domésticos tornaram-se mais perigosos nas últimas décadas. “O mundo mudou muito e não é preciso mais pilotar a uma torre como no 11 de Setembro. O que viaja, hoje, são ideias, não pessoas. O terrorismo transnacional, hoje, é menos perigoso para os EUA, mas há os atentados de indivíduos que estão dentro do país”, conclui. 

    Fonte: https://www.otempo.com.br/mundo/ataques-de-11-de-setembro-iniciaram-nova-era-na-politica-internacional-1.2539755
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