PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro ao STF por coação e tentativa de interferência
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orienta que consumidores que tenham em casa produtos da Ypê pertencentes ao lote indicado como de possível contaminação microbiológica não façam o descarte por conta própria. A recomendação, segundo o órgão, é manter o item guardado e aguardar os próximos encaminhamentos do processo, enquanto a empresa conduz o recolhimento.
Detergente Ypê é um dos itens na lista de produtos suspensos pela Anvisa
Foto: Ypê/Divulgação
O alerta envolve itens com numeração final 1, alvo de recall iniciado na quinta-feira (7). À época, a Anvisa determinou o recolhimento e também a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados.
Em nota, a agência informou que, por enquanto, o consumidor deve evitar jogar o produto fora e esperar o desdobramento da apuração e da medida de recolhimento. Apesar de o recolhimento estar em curso, faltam orientações detalhadas sobre como armazenar o item até a devolução e não há esclarecimentos específicos sobre eventuais impactos ambientais.
A Ypê chegou a reverter a determinação, mas decidiu não retomar a fabricação dos itens até regularizar a situação junto à Anvisa. Uma reunião foi prevista para esta quarta-feira (13).
De acordo com a Anvisa, a decisão se baseou em avaliação técnica de risco sanitário. Durante uma inspeção na unidade fabril, foram identificados descumprimentos em etapas consideradas relevantes do processo produtivo, com problemas envolvendo os sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Enquanto isso, consumidores têm relatado dificuldade para obter instruções e fazer devoluções, já que o SAC da empresa tem apresentado falhas tanto pela internet quanto pelo telefone 0800-1300544. A marca também disponibiliza um formulário de cadastro em seu site.
No comunicado, a Anvisa mencionou a possibilidade de presença de microrganismos patogênicos nos produtos. O órgão afirma que precisa de mais tempo para detalhar quais agentes podem estar envolvidos, mas o risco apontado é de contaminação microbiológica, capaz de causar diferentes quadros.
O infectologista Daniel Paffili Prestes, com residência no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e especialização pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, afirma que o contato com um produto contaminado pode provocar vermelhidão, coceira, ardência e inflamações na pele, além de ir além dessas reações locais.
Quando há contato com olhos, nariz ou boca, o risco pode incluir irritação de mucosas e até infecções localizadas. Em alguns casos, a inalação de partículas contaminadas também pode desencadear sintomas respiratórios.
Daniel Paffili Prestes
Para ele, a conduta indicada é interromper imediatamente o uso de qualquer item identificado no recolhimento oficial. A infectologista Claudia Mello, também do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, reforça que a orientação de não utilizar os produtos permanece mesmo após o recurso apresentado pela Ypê à Anvisa e ao Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo.
Claudia Mello acrescenta que, para quem já usou os itens, os sinais que justificam procurar atendimento seguem os parâmetros gerais: febre, prostração e dificuldade para respirar ou se alimentar. Prestes afirma ainda que, mesmo sem sintomas, não é possível assegurar segurança após a confirmação de contaminação microbiológica e que insistir no uso eleva o risco de irritações, infecções e outras reações adversas, sobretudo quando o contato é contínuo.
Entre os sinais de alerta citados estão vermelhidão, coceira, ardência, irritação nos olhos, tosse, espirros e dificuldade respiratória. Situações mais graves podem incluir febre, inchaço ou sinais de infecção cutânea. Crianças pequenas, idosos, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos exigem atenção especial, por serem mais sensíveis a esse tipo de contaminação.
Especialistas ouvidos desaconselham qualquer uso do produto e alertam que o líquido não deve ser jogado no meio ambiente. O professor de química da Universidade Cruzeiro do Sul, Carlos Brito, afirma que o consumidor não deve tentar reutilizar o item nem despejá-lo em pias, ralos ou diretamente na natureza, sob risco de efeitos negativos em ambientes aquáticos.
Segundo Brito, se não for possível falar com a empresa rapidamente, a alternativa é manter a embalagem bem vedada e guardada até orientação oficial ou descarte adequado. Ele também recomenda lavar com água sanitária a superfície em que o produto estava armazenado.
Na avaliação do dermatologista Matheus Rocha, além de ardência e irritações, o contato pode desencadear dermatite irritativa e eczema, sobretudo em pessoas com doenças de pele, idosos, crianças e imunossuprimidos. Para o médico, uma contaminação microbiológica compromete a estabilidade sanitária do produto, o que o torna inadequado para uso doméstico, além de haver risco de espalhamento de microrganismos em superfícies e ambientes caso continue sendo utilizado dentro de casa.
A Anvisa informou que a restrição atinge somente os lotes cuja numeração termina em 1, dos seguintes produtos:
Como precaução, é possível lavar novamente roupas, utensílios e superfícies que tenham tido contato direto com um produto suspenso, sobretudo se houver irritação ou se forem percebidas alterações de cheiro, cor ou textura. Ainda assim, não há indicação de risco que exija descartar objetos domésticos que foram usados com esses itens.