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A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (Ficco) em Uberlândia deflagrou nesta terça-feira (12) duas frentes de ação contra suspeitas de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, com ramificações em Minas Gerais e outros estados. Batizadas de Rota Andina e Paper Stone, as operações mobilizam cerca de 200 policiais.
As diligências ocorrem ao mesmo tempo em municípios de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Amazonas e Maranhão, incluindo Uberlândia e Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Também há cumprimento de ordens judiciais em São João del-Rei (MG), Goiânia (GO), São Paulo e Poá (SP), Manaus (AM) e São Luís (MA).
Operações Ficco em Uberlândia e Ituiutaba
Foto: Ficco/PF/Divulgação
De acordo com a Ficco de Uberlândia, as duas operações reúnem 41 mandados de busca e apreensão, 22 mandados de prisão e 26 ordens para busca e apreensão de veículos.
A Polícia Federal informou que a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 98 milhões em bens e valores vinculados aos investigados. No recorte de veículos, as apreensões previstas chegam a cerca de R$ 6 milhões.
Veículos de luxo são apreendidos durante operações Paper Stone e Rota Andina
Foto: Ficco/PF/Divulgação
Deflagradas a partir de Uberlândia, Rota Andina e Paper Stone integram uma força-tarefa nacional com atuação de diferentes unidades da Ficco em diversos estados. Segundo a informação divulgada, a megaoperação tem como alvo facções criminosas e busca prender 71 suspeitos.
Cerca de 200 policiais participam das operações em Uberlândia e região
Foto: Ficco/PF/Divulgação
Em Uberlândia, as investigações indicam que uma das organizações sob apuração teria montado uma estrutura logística aérea para o transporte de drogas, utilizando aviões, pistas clandestinas e comunicação por satélite na tentativa de driblar a fiscalização.
A Operação Rota Andina, segundo a PF, se conecta a um caso ocorrido em abril de 2025, quando 470 quilos de cocaína foram apreendidos em Santa Rita do Araguaia (GO). Na ocasião, a carga era levada em uma aeronave.
Os investigadores apontam ainda que o grupo mantinha um esquema financeiro organizado para esconder os ganhos obtidos com o tráfico. Entre os mecanismos identificados estão empresas de fachada, uso de “laranjas” para registro de patrimônio, aquisição de aeronaves e veículos de luxo, além de fracionamento de depósitos e triangulação de recursos, com atuação na região mineira.
A Operação Paper Stone tem como foco desarticular um esquema de lavagem de dinheiro associado ao tráfico interestadual de drogas, com atuação concentrada em Uberlândia e Ituiutaba. Essa etapa, conforme a apuração, decorre do aprofundamento de investigações iniciadas na Operação Anthill, deflagrada em novembro de 2024.
A Polícia Federal afirma que o grupo utilizava métodos sofisticados para ocultar e dissimular valores ilícitos, recorrendo a empresas de fachada e a interpostas pessoas, com o objetivo de dar aparência legal ao dinheiro relacionado a atividades criminosas.
No âmbito da Paper Stone, a Justiça autorizou a apreensão de 114 veículos e o sequestro de bens estimados em cerca de R$ 92 milhões, dentro do bloqueio total que chega a aproximadamente R$ 98 milhões.
Uma entrevista coletiva está marcada para as 10h desta terça-feira (12), na sede da Delegacia da Polícia Federal em Uberlândia, para apresentação dos detalhes e dos desdobramentos das operações Rota Andina e Paper Stone.