Inflação sobe 0,67% em abril; alimentos e saúde puxam alta, diz IBGE

Em 12 meses, IPCA acelera para 4,39%, ainda dentro do teto de 4,5% da meta definida pelo CMN para 2026.

12/05/2026 às 11:35 por Redação Plox

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no Brasil, registrou alta de 0,67% em abril, informou nesta terça-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado indica perda de fôlego na comparação com março, quando o indicador tinha avançado 0,88%.

No acumulado em 12 meses, porém, o movimento foi de aceleração: a taxa passou de 4,14% até março para 4,39% em abril. No mesmo mês de 2025, a variação mensal havia sido de 0,43%.

Mesmo com a alta, o IPCA permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta é de 3%, com teto de 4,5%. Desde o ano passado, o sistema de metas passou a ser contínuo, com acompanhamento mês a mês a partir da inflação acumulada em 12 meses.


Consumidores estão sentindo no bolso o aumento no preço dos alimentos em supermercados.

Consumidores estão sentindo no bolso o aumento no preço dos alimentos em supermercados.

Foto: Freepik


Alimentos e saúde concentram a maior parte do avanço em abril

O maior peso sobre a inflação de abril veio de Alimentação e bebidas, que respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA. Em seguida, apareceu Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,16 ponto percentual.

Somados, esses dois grupos explicaram cerca de 67% da alta do índice no mês, concentrando a maior parte da pressão sobre os preços.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, o encarecimento dos alimentos esteve ligado a uma combinação de menor oferta em alguns itens e aumento dos custos de transporte.

Os combustíveis sendo mais caros acabam influenciando o preço do frete. E, chegando no transporte, obviamente isso chega para o consumidor final no preço que ele vai pagar lá no balcão.

Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE

Veja como ficaram os grupos pesquisados pelo IPCA

Na abertura por grupos, os resultados de abril foram:

  • Alimentação e bebida: 1,34%
  • Habitação: 0,63%
  • Artigos de residência: 0,65%
  • Vestuário: 0,52%
  • Transportes: 0,06%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%
  • Despesas pessoais: 0,35%
  • Educação: 0,06%
  • Comunicação: 0,57%

Alimentação mantém protagonismo no acumulado do ano

Com alta de 1,34% em abril, o grupo Alimentação e bebidas acumulou avanço de 3,44% nos quatro primeiros meses de 2026 e seguiu como o principal foco de pressão inflacionária no período.

Os alimentos consumidos no domicílio tiveram aumento de 1,64% no mês. O texto original informa que alguns itens do cotidiano ficaram entre as maiores altas e que outros produtos recuaram, mas não detalha quais foram esses itens.

Já a alimentação fora de casa — que reúne gastos em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos similares — subiu 0,59% em abril. Os lanches continuaram em alta, embora com desaceleração: passaram de 0,89% em março para 0,71% em abril. As refeições, como almoços e jantares, avançaram de 0,49% para 0,54% no mesmo intervalo.

Reajuste de medicamentos e itens de higiene impulsiona grupo de saúde

O segmento de Saúde e cuidados pessoais, segundo maior impacto do mês, teve alta de 1,16% em abril. Dentro do grupo, os principais aumentos vieram de produtos farmacêuticos (1,77%), artigos de higiene pessoal (1,57%) e perfumes (1,94%).

No caso dos medicamentos, o avanço ocorreu após a autorização de reajustes de até 3,81%, em vigor desde 1º de abril. Já na higiene pessoal, os perfumes registraram a maior alta dentro da categoria e contribuíram para elevar o índice.

Passagens aéreas despencam e ajudam a segurar o grupo Transportes

Depois de subir 1,64% em março, o grupo Transportes praticamente ficou estável em abril, com variação de 0,06%. O principal fator para a desaceleração foi a queda acentuada das passagens aéreas, que ficaram 14,45% mais baratas no período.

Reduções em tarifas de ônibus urbanos e de metrô também ajudaram a aliviar a pressão, refletindo a adoção de gratuidades e descontos em domingos e feriados em diversas capitais.

Na direção contrária, os combustíveis continuaram subindo e impediram um alívio maior. As variações foram: gasolina (1,86%), óleo diesel (4,46%), etanol (0,62%) e gás veicular (-1,24%). Ainda que tenha avançado menos do que em março, a gasolina permaneceu como o item individual de maior impacto no IPCA de abril, contribuindo com 0,10 ponto percentual.

Outros serviços ligados ao transporte também registraram aumentos, como ônibus intermunicipal e corridas de táxi, influenciados por reajustes tarifários em algumas cidades.

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