PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro ao STF por coação e tentativa de interferência
Nas alegações finais, Paulo Gonet cita constrangimento a ministros e articulação por sanções estrangeiras para pressionar o tribunal.
Pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB-SP) avaliou como grave a reação política desencadeada após a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para recolher produtos da marca Ypê. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o episódio ganhou contornos de disputa ideológica e fez um paralelo com o que classificou como descrença na agência e nas vacinas durante a pandemia de Covid-19.
Simone Tebet considera grave a reação política contra a determinação da Anvisa sobre os produtos Ypê
Foto: crédito: Washington Costa/MPO
A Anvisa decidiu na última quinta-feira (7/5) pelo recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 de itens da Ypê — como detergentes, lava-louças, sabão líquido e desinfetantes — produzidos pela Química Amparo, em São Paulo. A medida veio depois de uma inspeção na fábrica, quando foram identificados problemas no cumprimento de etapas críticas do processo produtivo, além de falhas nos sistemas de garantia e de controle de qualidade.
Segundo a agência, os pontos observados indicam risco de contaminação microbiológica. Ainda assim, a orientação ao consumidor foi para aguardar os desdobramentos antes de descartar os produtos da marca.
A própria empresa informou que encontrou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em parte dos lotes de lava-roupas líquidos ainda em 2025. O microrganismo pode causar infecções, sobretudo em pessoas com baixa imunidade, internadas ou com feridas abertas. Em indivíduos saudáveis, o risco é considerado menor, embora o contato com itens contaminados possa provocar irritações e infecções em situações específicas.
Mesmo com os riscos apontados, a Ypê passou a ser exaltada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sem apresentar provas, esse grupo acusa a Anvisa de agir por motivação política, citando doações da empresa à campanha eleitoral de 2022. Nas redes sociais, vídeos e postagens de pessoas comprando grandes quantidades e usando os produtos se espalharam com mensagens de apoio, como “Compre Ypê e não vote no PT”, “Nosso detergente jamais será vermelho” e “O Brasil é Bolsonaro e Ypê”.
Ao comentar o caso, Tebet afirmou que a politização de um tema sanitário repete padrões vistos na pandemia.
“Faz pouco tempo, nós estávamos diante de uma pandemia que matou 700 mil pessoas, onde as pessoas, não acreditando na Avisa e na vacina, e nos estimulando a tomar cloroquina” Simone Tebet
A matéria lembra que, em 2020, Bolsonaro indicou publicamente o uso de cloroquina para pessoas com sintomas de coronavírus, apesar de o remédio não ter eficácia comprovada. Mesmo com a escalada de mortes, ele também dizia que a doença teria efeitos leves e seria como uma “gripezinha”.
A pré-candidata criticou a transformação de um assunto de saúde pública em disputa eleitoral, mencionando gravações em que pessoas aparecem tomando banho ou bebendo detergente e incentivando outras — inclusive crianças e pessoas com problemas de saúde — a repetir o comportamento.
Para ela, vida e saúde pública não devem ser tratadas como pauta ideológica. Tebet também pediu que a população confie na ciência e em decisões baseadas em evidências, além de reforçar a importância de cuidar da família.
Levantamento recente divulgado pela Genial/Quaest indica Tebet na liderança em todos os cenários testados para a disputa ao Senado, com oscilação entre 14% e 15% das intenções de voto. Em uma das simulações, o ex-ministro Márcio França (PSB) aparece em segundo, com 12%, em empate técnico com ela. Já em um cenário sem o nome do PSD, a ex-ministra Marina Silva (Rede) também chega a 12%.