Corte de Cassação da Itália nega extradição de Carla Zambelli e cita dúvida sobre Moraes

Acórdão divulgado nesta sexta-feira (12) aponta questionamentos sobre imparcialidade no caso ligado à invasão dos sistemas do CNJ; decisão derruba aval anterior da Corte de Apelação de Roma, sem anular a condenação do STF.

12/06/2026 às 13:31 por Redação Plox

A Corte Suprema de Cassação da Itália apontou dúvidas sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao fundamentar a decisão que impediu a extradição de Carla Zambelli para o Brasil. O acórdão, divulgado nesta sexta-feira (12), afirma que o magistrado ocupou simultaneamente posições de julgador e de pessoa atingida por um dos atos criminosos analisados. 


Justiça italiana cita papel de “vítima e juiz” de Moraes e nega extradição de Zambelli.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil



A decisão alcança o pedido de extradição relacionado à condenação de Zambelli a dez anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. O processo envolve a entrada ilegal nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inclusão de documentos falsos, entre eles um mandado de prisão contra Moraes.

Corte questiona acúmulo de funções

Na avaliação dos magistrados italianos, havia elementos capazes de levantar dúvidas objetivas sobre a imparcialidade do julgamento. O documento menciona que Moraes participou de diferentes fases do processo, da análise inicial à condenação e à execução da pena, enquanto também era considerado pessoa prejudicada pela inserção do mandado falso.

A Corte italiana entendeu que a situação contrariou as garantias de imparcialidade e independência judicial exigidas para autorizar a entrega da ex-parlamentar ao Brasil. A decisão derrubou a autorização que havia sido concedida pela Corte de Apelação de Roma. O julgamento na Itália, porém, tratou do procedimento de extradição e não anulou a condenação imposta pelo STF.

Segundo processo ainda pode levar à extradição

Zambelli havia sido presa em Roma, em julho de 2025, enquanto aguardava a análise dos pedidos apresentados pelo governo brasileiro. Ela deixou a prisão em maio deste ano, após a Corte de Cassação rejeitar a extradição no processo ligado à invasão dos sistemas do CNJ.

A ex-deputada ainda responde a um segundo procedimento na Justiça italiana. Esse pedido está relacionado à condenação definitiva a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, devido ao episódio em que perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, em 2022. A Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição nesse segundo caso, mas a defesa recorreu. Até a publicação da fundamentação, o STF e o gabinete de Alexandre de Moraes não haviam se manifestado.

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