Palhaços quebram gelo da quarentena com visitas online em asilos

12/09/2020 10:15

Iniciativa que mescla ação social e cultural leva alegria durante isolamento social

“Cadê eles?”, pergunta ao telefone Carmen Novais, 65 anos. O “eles” a quem a senhora se refere com saudade são os palhaços que visitam lares de idosos e hospitais em Belo Horizonte. Com a pandemia, as visitas, repletas de abraços calorosos, ficaram proibidas, mas o projeto Sociedade do Riso quebrou a cabeça para encontrar uma saída. O jeito foi levar a palhaçada para o mundo digital.

“Essa doença está deixando todo mundo dentro de casa”, reclama a simpática dona Carmen. Foram relatos como esse que animaram o palhaço Viralata a insistir que os idosos precisavam continuar contando com a visita dos palhaços. Mas tudo teria que ser virtual.

As chamadas são enviadas gravadas ou ao vivo; Ludmila Benquerer é uma das palhaças atuantes no projeto

Mais conhecido como Rodrigo Robleño, Viralata é coordenador da iniciativa que mescla trabalho social e cultural. Com oito anos de vida, o projeto foi naturalmente se adaptando à tecnologia durante a pendemia. A suposta dificuldade dos idosos em manipular tablets e celular foi vencida.

Distração

Moradora do Lar Dona Paula, no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste da capital, Carmen é uma das senhoras que adora as cantorias e brincadeiras promovidas pelos palhaços ao telefone. “Eu mesmo tinha dúvida se ia funcionar ou não, mas outra vez a palhaçaria me surpreendeu”, admite Robleño. A mesma surpresa é compartilhada por Maria do Carmo Pinto, presidente do asilo, que acolhe 38 idosas com idades entre 65 e 99 anos. “Elas amam esses palhaços. Isso melhora muito a qualidade e vida delas”, avalia.

Os beijos e abraços de antes agora chegam virtualmente por meio de videochamadas gravadas ou ao vivo, transmitidas para os lares de idosos Casa Santa Zita (no bairro Funcionários), Recanto Feliz (Betânia), além do Lar Dona Paula. A previsão da trupe é que o trabalho online possa seja expandido a hospitais ainda neste semestre, locais em que o projeto também já acontecia em formato presencial. “Temos percebido uma beleza de atuar nesse momento de fragilidade. É um trabalho que eu amo”, diz Ludmila Benquerer, palhaça que atua no projeto há cinco anos.

palhaça

  • Ludmila Benquerer é uma das palhaças que fazem as videochamadas para as idosas

Mesmo virtual, a visita dos palhaços segue levando alegria e descontração às idosas, muitas delas que não escutam, não enxergam ou ficam em cama o tempo todo. Se o distanciamento social tem causado ansiedade em todas as pessoas, entre os idosas que moram nessas instituições o problema é ainda maior. “Elas sentem falta do presencial. Estavam aflitas, mas com os vídeos ficaram mais calmas”, assume Maria do Carmo. Os sessenta palhaços participantes do projeto também não veem a hora de poder retornar com as visitas presenciais.

Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/palhacos-quebram-gelo-da-quarentena-com-visitas-online-em-asilos-1.2384137