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    Kombucha, nova moda fitness, requer precaução, alerta pesquisador da UFMG

    Até agora, não há nenhum estudo clínico publicado que demonstre a atividade probiótica de kombucha, conforme o especialista

    Por Plox

    13/04/2021 23h22 - Atualizado há 5 meses

    Celebrada, muitas vezes, como o novo “Santo Graal” da moda “fitness”, a Kombucha, bebida asiática produzida a partir da fermentação alcoólica e acética da combinação de chá e açúcar junto ao inóculo, conjunto de microrganismos responsáveis pela fermentação característica, é promissora em relação às benesses à saúde, mas é preciso cautela. 

    Não demoraram a surgir informações truncadas sobre a Kombucha – possível cura do câncer, ação antioxidante no organismo, proteção do fígado. Algumas, baseadas em fatos científicos comprovados, realmente fazem parte do universo que engloba a bebida, enquanto outras são, ou formas mal intencionadas de propagação do líquido, ou desinformação.

    Contudo, até agora, não há nenhum estudo clínico publicado que demonstre a atividade probiótica de kombucha, conforme o especialista.

     

    Kombucha é promissora, mas é preciso cautela, alerta pesquisador da UFMG  Foto: Flickr/irisphotos/reprodução
    Kombucha é promissora, mas é preciso cautela, alerta pesquisador da UFMGFoto: Flickr/irisphotos/reprodução

     

    O alerta é do técnico de laboratório da Universdade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em ciência dos alimentos Cosme Barbosa, que estudou as características químicas e microbiológicas da Kombucha durante o doutoramento. Ele explica que, apesar de ser promissora, a bebida não deve ser utilizada para finalidades clínicas. 


    “Pode-se fazer consumo para bem estar, por razões pessoais, mas não como uma medicação. Tenha cuidado com a quantidade que se ingere, e é importante que ela não seja utilizada para fins terapêuticos. Temos doenças sérias que precisam de intervenção medicamentosa e não podemos recorrer apenas à bebida. É promissora, tem propriedades interessantes, mas precisamos esclarecer melhor isso”, argumenta.

    O principal entrave no uso da bebida ocorre devido à falta de informação científica comprovada sobre ela. Não há, por exemplo, doses seguras de uso determinadas, ou estudos clínicos robustos sobre a Kombucha. Por isso, a bebida não deve ser ingerida por gestantes ou crianças pequenas, que ainda estão com o corpo em formação. 

    “Vivemos em um mundo muito digital, as informações chegam de diferentes fontes, e vemos muitas coisas erradas na internet. Recomendações sem respaldo científico algum. Alguns trabalhos indicam algumas propriedades benéficas (da Kombucha), mas precisamos ter a ciência de que os estudos estão sendo conduzidos, em sua maioria, em animais. É próximo? É. Mas a variação ainda é grande”, explica. Contudo, alguns dos benefícios são comprovados, como detalha Barbosa. 

    “O que já é confirmado: o caráter antioxidante, por causa do chá. Tem a propriedade de eliminar do corpo radicais livres, que são naturalmente formados, só que temos alguns fatores que façam com que eles sejam gerados com uma quantidade exacerbada. O corpo tem um sistema de proteção que consegue equilibrar essa quantidade, mas há um episódio chamado estresse oxidativo, quando estão acima da capacidade de equilíbrio do corpo. Antioxidantes ajudam com isso”, pontua. 

    “Outro ponto é a atividade antimicrobiana. Ela consegue, em escala laboratorial, inibir bactérias que podem nos fazem mal. Entretanto, essa função não tem uma substância foco, responsável por essa atividade, não conseguiu se um consenso ainda. Autores dizem que é o ácido acético, outros dizem que podem ser outra substânica. Há um impasse. Há, também, uma relação de proteção do fígado. Alguns autores dizem que está ligada a um composto chamado de ácido glucorônico, que não é principal, mas é formado durante a fermentação. O ácido glucorônico tem papel de ajudar de expelir fármacos”, conclui.

    Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/kombucha-nova-moda-fitness-requer-precaucao-alerta-pesquisador-da-ufmg-1.2471863
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