Dólar sobe a R$ 4,90 com tensão internacional e petróleo acima de US$ 107

Mercado acompanha encontro entre Trump e Xi, conflito envolvendo o Irã e dados de inflação; Ibovespa tem abertura prevista para as 10h.

13/05/2026 às 09:11 por Redação Plox

O mercado financeiro começou a quarta-feira (13) com o dólar em leve alta. Na abertura, a moeda americana avançava 0,09% e era negociada a R$ 4,9001. Já o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, tem início previsto para as 10h.

No exterior, investidores acompanham o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em meio às incertezas sobre os próximos movimentos na relação entre as duas maiores economias do planeta. Outra frente no radar é a tentativa de negociação entre EUA e Irã por um acordo de paz, vista pelo mercado como uma possível via para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica no transporte global de petróleo.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que elimina a cobrança de tributos federais em compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de comércio eletrônico. A decisão ocorre após a criação, em 2024, da chamada “taxa das blusinhas”, que estabeleceu alíquota de 20% para encomendas nesse patamar, com o objetivo de frear a entrada de importados e reduzir a concorrência com a indústria nacional, sobretudo de empresas chinesas.

Na política, uma nova pesquisa da Quaest apontou empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de outubro. O presidente aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 41% do senador. No levantamento anterior, divulgado em abril, Flávio Bolsonaro liderava, depois de ambos terem registrado empate com 41% em março.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Como o dia começa para dólar e bolsa

O dólar acumula alta de 0,03% na semana. No mês, recua 1,14% e, no ano, soma queda de 10,81%.

O Ibovespa registra perdas de 2,05% na semana e de 3,72% no mês. Em 2026, o índice ainda acumula alta de 11,93%.

Inflação nos EUA acelera e reforça expectativa de juros altos

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos voltou a ganhar força em abril, no segundo mês seguido de avanço mais intenso, pressionada principalmente por alimentos e energia — com a energia impactada pela guerra no Irã. Dados do Departamento do Trabalho americano mostram que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,6% no mês, após alta de 0,9% em março. O resultado ficou em linha com o que analistas esperavam, segundo a Reuters.

No acumulado de 12 meses até abril, o índice chegou a 3,8%, o maior ritmo anual desde maio de 2023, acima dos 3,3% registrados em março.

O avanço ganhou tração após o petróleo superar US$ 100 por barril em março, na esteira de ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. A escalada do petróleo se refletiu nos preços de gasolina, diesel e querosene de aviação.

Nos alimentos, o índice teve alta de 0,5% em abril, depois de estabilidade em março. A inflação nos supermercados aumentou 0,7%, influenciada por uma elevação de 2,7% no preço da carne bovina.

Com o CPI em patamar elevado, aumentou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode manter os juros altos por mais tempo. Na última reunião, o banco central americano deixou as taxas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%.

IPCA perde ritmo em abril, mas alimentação ainda pressiona

No Brasil, a inflação oficial desacelerou em abril, embora os alimentos sigam como um dos principais focos de pressão. O índice marcou 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% de março, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Apesar da perda de força na comparação mensal, a inflação em 12 meses avançou, saindo de 4,14% para 4,39%.

Os maiores aumentos ficaram com alimentação e bebidas (1,34%) e saúde e cuidados pessoais (1,16%). Juntos, esses grupos responderam por cerca de 67% do resultado de abril. Na sequência, habitação subiu 0,63%, vestuário teve alta de 0,52% e transportes avançou 0,06%.

Petrobras lucra R$ 32,7 bilhões e aprova dividendos

A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro de R$ 32,7 bilhões, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o resultado mais do que dobrou quando comparado ao fim de 2025.

Segundo o balanço, a alta do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra no Oriente Médio, contribuiu para o desempenho. A empresa também elevou a produção de petróleo e ampliou as vendas de combustíveis, como diesel e gasolina.

Além do lucro, a estatal aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,70 por ação.

Conflito no Oriente Médio mantém tensão e pressiona o petróleo

O cenário geopolítico segue aumentando a aversão a risco. A possibilidade de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos perdeu força após Donald Trump dizer que a trégua está “respirando por aparelhos”.

O Irã recusou a proposta americana para encerrar o conflito e condicionou um acordo ao fim da guerra, a compensações por danos e ao término do bloqueio naval imposto pelos EUA. A escalada também alimentou o avanço do petróleo: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo e gás.

Autoridades iranianas mantiveram uma posição dura e indicaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado. Do lado americano, novas sanções foram anunciadas contra empresas e pessoas acusadas de auxiliar o Irã a vender petróleo para a China.

Trump tem previsão de chegar à China nesta quarta-feira (13) para se encontrar com Xi Jinping, e a crise no Oriente Médio deve entrar na pauta das conversas.

Bolsas globais fecham mistas após dado de inflação nos EUA

Depois que os números de inflação americanos vieram acima do esperado, Wall Street encerrou o pregão sem direção única: o Dow Jones subiu 0,11%, o S&P 500 cedeu 0,16% e o Nasdaq recuou 0,71%.

Na Europa, o movimento foi majoritariamente de baixa. O DAX, da Alemanha, caiu 1,54%, e o CAC 40, da França, recuou 0,45%. Em Londres, o FTSE 100 ficou perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%.

Na Ásia, o fechamento foi misto nesta terça-feira, com investidores de olho no encontro entre Trump e Xi. Após ganhos recentes, os índices chineses recuaram: Xangai caiu 0,25% e Hong Kong perdeu 0,22%. O Japão avançou 0,52%, enquanto a maior queda apareceu na Coreia do Sul, com o Kospi recuando 2,29%.

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