Grupo Toky pede recuperação judicial em SP e diz ter dívida estimada em R$ 1,1 bilhão

Controlador de Tok&Stok e Mobly solicita suspensão de cobranças por 180 dias e a liberação de cerca de R$ 77 milhões retidos, citando risco a despesas essenciais.

13/05/2026 às 11:13 por Redação Plox

O Grupo Toky, que controla as marcas Tok&Stok e Mobly, entrou nesta terça-feira (12) com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. No processo, a companhia informa que tenta impedir o agravamento da crise financeira e reorganizar suas obrigações, diante de uma dívida estimada em cerca de R$ 1,1 bilhão.

Tok&Stok

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Foto: Reprodução/Google Street View



Crise no setor e queda de vendas pressionaram o caixa

Em comunicado ao mercado, o grupo aponta que a piora do quadro financeiro está ligada ao ambiente econômico enfrentado pelo segmento de móveis e decoração nos últimos anos. Entre os fatores mencionados estão juros altos, crédito mais restrito, aumento do endividamento das famílias e redução na compra de bens duráveis, como móveis e itens para casa.

Segundo a empresa, a combinação desses elementos atingiu diretamente as vendas e diminuiu a geração de caixa, dificultando a quitação de compromissos. Ainda conforme o pedido apresentado à Justiça, tentativas anteriores de renegociação com credores não impediram que o endividamento continuasse avançando.

O que a recuperação judicial busca garantir

A recuperação judicial é um instrumento legal que permite renegociar dívidas com proteção do Judiciário, mantendo a operação enquanto o plano é discutido. O Grupo Toky afirma que a medida tem como objetivo preservar as atividades, assegurar a continuidade dos serviços e criar condições para reestruturar as obrigações financeiras.

Pedido inclui liberação de R$ 77 milhões e pausa em cobranças

Entre as solicitações apresentadas, o grupo pede a liberação imediata de aproximadamente R$ 77 milhões relativos a vendas feitas no cartão de crédito e que estariam retidos pela instituição financeira SRM Bank. De acordo com a empresa, essa retenção afetou de forma severa o fluxo de caixa e passou a colocar em risco gastos operacionais considerados essenciais, como a folha de pagamento de mais de 2 mil funcionários.

O pedido também inclui a suspensão, por 180 dias, de ações de cobrança movidas por credores — período conhecido na recuperação judicial como “stay period”.

Proteção para contratos e serviços considerados essenciais

Outro ponto destacado no processo é a solicitação para manter contratos e serviços que o grupo considera indispensáveis ao funcionamento. A empresa pede proteção contra possíveis interrupções em áreas como logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água.

Pandemia, fechamento de lojas e tentativas anteriores de reestruturação

O Grupo Toky afirma que a deterioração financeira começou ainda durante a pandemia de Covid-19, quando o setor enfrentou mudanças abruptas no consumo e na operação. Nesse intervalo, a companhia diz ter fechado mais de 17 lojas.

Em 2023, segundo o texto, a Tok&Stok já havia buscado uma reestruturação com a renegociação de cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, além de um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões feito por acionistas.

Como o grupo foi formado

Criado em 2024, o Grupo Toky surgiu da união entre Mobly e Tok&Stok, formando um conglomerado de varejo de móveis e decoração na América Latina, com integração entre operações físicas e digitais. Além das duas marcas, o grupo também controla a Guldi, voltada ao segmento de colchões e produtos de conforto.

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