Lula revoga “taxa das blusinhas”; CNI diz que tarifa evitou R$ 4,5 bi em importações

Estudo aponta queda no volume de encomendas e divide entidades: indústria critica o fim do imposto, enquanto a Amobitec comemora.

13/05/2026 às 14:09 por Redação Plox

Revogada nesta terça-feira (12) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a chamada “taxa das blusinhas” teve impacto direto sobre o volume de importações no país. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em abril, calcula que a cobrança evitou a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos estrangeiros e contribuiu para manter mais de 135 mil empregos.

A tarifa estabelecia 20% de imposto de importação sobre compras de até US$ 50,00 e integrava o programa Remessa Conforme, iniciativa da Receita Federal voltada à regulamentação de aquisições em plataformas de e-commerce. Segundo a nota técnica, além de reduzir o fluxo de mercadorias importadas, a medida teria ajudado a preservar mais de R$ 20 bilhões na economia brasileira.

Assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas •

Assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas •

Foto: Wallison Breno/PR


Queda no volume de encomendas, segundo a CNI

O levantamento aponta que, em 2024, o Remessa Conforme registrou 179,1 milhões de encomendas internacionais. Em 2025, esse total caiu para 159,6 milhões, uma redução de 10,9%. A entidade também estimou que, sem a cobrança, o Brasil poderia ter recebido 205,9 milhões de pacotes no período analisado.

Indústria critica revogação e fala em perda de competitividade

Após o governo encerrar a tributação, a CNI afirmou que a decisão prejudica a indústria nacional e o desenvolvimento econômico. Na avaliação da confederação, a mudança favorece fabricantes estrangeiros em detrimento do setor produtivo brasileiro.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, comparou o fim da taxa a um incentivo a países exportadores de itens de baixo valor para o Brasil, citando a China e destacando o impacto no setor têxtil. Para ele, a consequência atinge diretamente quem produz e comercializa no território nacional.

Na mesma linha, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) informou que a revogação pode ampliar a desigualdade tributária entre mercadorias nacionais e importadas. Já a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avaliou a decisão como

“extremamente equivocada”
.

Empresas do comércio digital comemoram o fim da cobrança

Do outro lado, representantes do varejo digital celebraram a revogação. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, disse que a tributação era

“extremamente regressiva”
e diminuía o poder de compra das classes de menor renda.

Segundo a Amobitec, a taxa ampliava a desigualdade social no acesso ao consumo e não teria cumprido a promessa de elevar a competitividade da indústria. Durante a assinatura da medida provisória que zerou o imposto federal, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a decisão só foi possível após três anos de combate ao contrabando e de regularização do setor.

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