Desmatamento na Mata Atlântica cai 28% em 2025 e atinge menor nível da série histórica

SAD aponta redução em 11 dos 17 estados do bioma; Bahia, Minas Gerais, Piauí e MS concentraram 89% da área devastada.

14/05/2026 às 16:26 por Redação Plox

O desmatamento na Mata Atlântica recuou em 2025 e atingiu o menor patamar da série histórica, segundo avaliação da Fundação SOS Mata Atlântica. O levantamento indica que a área devastada caiu 28% em relação ao monitoramento anterior, passando de 53.303 para 38.385 hectares, sinalizando a continuidade de uma desaceleração na perda de vegetação nativa do bioma. 


Área de desmatamento na Mata Atlântica registrou queda de 28% em 2025, na comparação com os monitoramentos realizados em 2024.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


Levantamento do SAD aponta queda em 11 estados

Os dados fazem parte do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, cujos resultados foram divulgados na quarta-feira (13). O sistema é desenvolvido desde 2022 por meio de parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, a MapBiomas e a Arcplan.

De acordo com o SAD, houve diminuição das derrubadas em 11 dos 17 estados abrangidos pelo bioma, com destaque para Bahia e Piauí. Ainda assim, os dois estados permaneceram entre os que mais perderam floresta no ano passado.

Em 2025, as maiores áreas desmatadas foram registradas na Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 ha). Juntos, esses quatro estados responderam por 89% de toda a área desmatada. Nos demais, as perdas ficaram abaixo de 1 mil hectares.

A fundação também informou que a maior parte do que foi destruído teve destino ligado ao campo: 96% da área registrada pelo sistema foi convertida para uso agropecuário, com grande parcela apresentando indícios de ilegalidade.

Atlas com o Inpe registra redução ainda maior em florestas maduras

Outra base de acompanhamento, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, apontou queda mais acentuada no mesmo período. Segundo o Atlas, o desmatamento diminuiu 40%, ao passar de 14.366 hectares em 2024 para 8.668 hectares em 2025. 


Segundo o Atlas, o desmatamento diminuiu 40%, ao passar de 14.366 hectares em 2024 para 8.668 hectares em 2025.

Foto: Divulgação/Orlando K Junior


Esse monitoramento é realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desde 1985 acompanha os grandes fragmentos de florestas maduras no bioma. A entidade destacou que, em 40 anos de acompanhamento, foi a primeira vez que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares.

Fiscalização e políticas públicas são apontadas como fatores

Para a SOS Mata Atlântica, a melhora nos indicadores está associada a um conjunto de medidas, como pressão pública, mobilização social, políticas ambientais e ações de fiscalização. Entre as iniciativas citadas estão a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito em áreas com desmatamento ilegal, além do fortalecimento da Lei da Mata Atlântica como principal ferramenta de proteção da vegetação nativa.

Entidade alerta para risco de retrocesso no Congresso

Mesmo com a redução, a organização defende que o bioma continue sob vigilância. O diretor executivo da SOS Mata Atlântica, Luis Fernando Guedes Pinto, afirmou que a perda de qualquer fragmento é relevante e que o objetivo precisa ser manter a tendência até que o desmatamento seja zerado.

O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento.

Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica

A entidade também apontou preocupação com mudanças discutidas e aprovadas no âmbito legislativo. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial. Na avaliação da SOS Mata Atlântica, essas normas fragilizam mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles vêm apresentando resultados.

A diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, disse que enfraquecer esses instrumentos pode colocar o país na contramão do Acordo de Paris e aumentar o risco de tragédias climáticas. Para ela, os dados indicam que a derrubada diminui quando a legislação é aplicada com rigor e critérios técnicos, e que reduzir a proteção agora significa ameaçar avanços construídos ao longo de anos.

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