PF prende sete na 6ª fase da Compliance Zero e mira fraudes no sistema financeiro
Entre os alvos está Henrique Vorcaro; investigação cita suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O dólar avançou com força nesta quarta-feira (13/5) e chegou a encostar em R$ 5 no mercado brasileiro, em um dia marcado por tensão política e sinais de inflação mais persistente nos Estados Unidos.
A escalada ganhou tração após o site The Intercept Brasil publicar que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um pagamento de R$ 134 milhões para viabilizar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o pai
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Segundo a reportagem, documentos obtidos indicariam participação direta de Flávio nas tratativas com o dono do Banco Master. Durante entrevista coletiva, ele negou a informação ao ser questionado, mas, depois da repercussão, admitiu que pediu recursos ao banqueiro para finalizar a produção cinematográfica.
Por volta de 15h30, a moeda norte-americana registrava alta de 1,69% e era negociada a R$ 4,976. No pico do dia, chegou a R$ 5,004, valorização de 2,26%.
No mesmo horário, a Bolsa de Valores brasileira caía 1,58%, aos 177.475 pontos, em meio ao aumento da aversão ao risco.
Na esfera política, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que pretende protocolar representações na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República pedindo a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a notícia ajuda a explicar a reação dos ativos, ao reforçar leituras de risco institucional. Ele avaliou que o tema envolvendo o Banco Master se conecta à percepção de corrupção no país e, até então, não estava sendo vinculado de forma explícita à família Bolsonaro.
Já André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, disse que a reportagem tende a criar obstáculos para a candidatura de Flávio. Ele ponderou, porém, que o movimento do câmbio também ocorreu em um contexto externo mais desfavorável, e atribuiu o estresse do dólar visto à tarde, em parte, a fatores domésticos.
O pregão também foi influenciado por novos dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado e reforçaram apostas de juros elevados por mais tempo. Esse cenário impulsiona o dólar e costuma pressionar moedas de mercados emergentes, como o real.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 1,4% em abril, acima da projeção de 0,5% apontada por economistas ouvidos pela Reuters. O resultado foi o maior desde março de 2022.
O dado se soma ao CPI de abril, divulgado na terça-feira (12), que marcou 3,8% — o maior nível em três anos —, refletindo a alta de preços enfrentada pelas famílias em itens como alimentação e saúde.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o relatório reforça a perspectiva de inflação persistente nos EUA e complica as decisões do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).
O repasse dos custos de energia para os preços no nível do produtor está claramente em curso - e o risco é que esse movimento continue se espalhando para consumidores finais, à medida que empresas repassam pressões de logística e insumos.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad
Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, apontou que a leitura de inflação aquecida sugere pressão adicional ao consumidor nos próximos meses. Na avaliação dele, isso reduz a chance de cortes de juros no curto prazo e mantém o ambiente favorável ao dólar, ao elevar a atratividade dos títulos do Tesouro americano e direcionar capital para os EUA.
Durante a manhã, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos chegaram a 4,48%, no maior patamar desde julho de 2025.
O pano de fundo externo inclui a guerra no Oriente Médio, que vem pressionando o petróleo e ampliando a incerteza sobre cadeias globais de insumos. Além do impacto direto nos combustíveis, há receios de repasses para preços de alimentos, já que o diesel integra a cadeia produtiva, e de efeitos sobre o transporte de fertilizantes, também citado como afetado pelo conflito.
Nesta quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, desembarcou na China para se reunir com o líder chinês, Xi Jiping, em agenda que deve abordar temas considerados sensíveis, incluindo a guerra no Irã.
A perspectiva de desfecho segue distante. Na segunda-feira, Trump afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos” após rejeitar uma contraproposta do Irã. No mesmo dia, Teerã declarou que não haveria solução fora da sua proposta; Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, disse que a única alternativa seria aceitar os direitos do povo iraniano conforme uma proposta de 14 pontos, e que outros caminhos seriam infrutíferos.