PF prende sete na 6ª fase da Compliance Zero e mira fraudes no sistema financeiro
Entre os alvos está Henrique Vorcaro; investigação cita suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A manifestação pública da Goup Entertainment para negar qualquer aporte ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro na produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a alimentar dúvidas nas redes sociais sobre a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A reação on-line cresceu a partir da comparação entre o que o parlamentar disse sobre “parcelas” e o que a produtora afirmou ter recebido.
A discussão ganhou força depois que o The Intercept Brasil divulgou um áudio vazado no qual Flávio Bolsonaro cobra R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para viabilizar o longa-metragem. Após a repercussão, o senador reconheceu a negociação e explicou que retomou o contato com o banqueiro por causa de um suposto atraso no pagamento de parcelas de patrocínio, que seriam necessárias para finalizar a produção.
Flavio aproveitou para afirmar que o filme será lançado ainda esse ano
Foto: Agência Brasil
Em nota enviada à imprensa, a Goup Entertainment, responsável pelo filme, apresentou uma versão que não coincide com a fala do senador. Segundo o comunicado, entre os valores recebidos para o projeto não haveria recursos oriundos de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob controle do banqueiro.
A empresa também afirmou que, por regras aplicáveis a operações privadas de captação no setor audiovisual nos Estados Unidos, pode haver limites para divulgação de identidades de investidores protegidos por acordos de confidencialidade, os chamados Non-Disclosure Agreements. Ainda assim, reforçou que não há dinheiro ligado a Vorcaro no financiamento do filme e que a produção foi estruturada sem uso de recursos públicos.
Com as duas versões circulando, usuários passaram a questionar como Flávio Bolsonaro menciona parcelas em atraso se, de acordo com a produtora, nenhum valor associado a Vorcaro teria sido destinado ao longa. Entre as publicações, surgiram dúvidas sobre quem teria recebido eventual pagamento e como se daria o fluxo desses recursos.
Parte dessas postagens mencionou um trecho atribuído à reportagem do The Intercept Brasil segundo o qual valores teriam sido direcionados ao fundo Havengate, sediado no Texas, representado pelo advogado Paulo Calixto, descrito como ligado ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL).
A divergência também foi usada por perfis que cobraram explicações adicionais e apontaram inconsistências entre declarações públicas. Ao mesmo tempo, houve quem saísse em defesa do senador, sustentando que a interpretação do áudio estaria sendo feita de forma equivocada e que o conteúdo não indicaria, necessariamente, que o atraso mencionado fosse de valores pagos por Vorcaro.
Na nota divulgada após o vazamento do áudio, Flávio Bolsonaro negou ter obtido vantagens ou ter atuado em favor do banqueiro. O senador também afirmou que buscava patrocínio privado para um filme privado, disse que não houve dinheiro público nem uso da Lei Rouanet e declarou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando, segundo ele, o governo Bolsonaro já havia terminado e não existiam suspeitas públicas contra o banqueiro.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.”
Flávio Bolsonaro
Já a Goup Entertainment, embora tenha negado qualquer recebimento de recursos ligados a Vorcaro, admitiu que conversas iniciais podem ocorrer sem que isso represente investimento efetivo. No comunicado, a produtora afirmou ainda que rechaça tentativas de associar o filme a “fatos externos” sem comprovação documental, financeira ou contratual, e disse permanecer disponível para prestar esclarecimentos às autoridades e à imprensa.