Governo libera R$ 8,4 bilhões do FGTS a partir de 26 de maio para 10,5 milhões

Rodada atende trabalhadores do saque-aniversário demitidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, segundo o MTE.

14/05/2026 às 10:06 por Redação Plox

O governo federal vai colocar em circulação R$ 8,4 bilhões em uma nova rodada de liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a partir de 26 de maio. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a medida alcança 10,5 milhões de trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário e foram demitidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025.

A estimativa divulgada anteriormente era de R$ 7,7 bilhões, mas o montante foi recalculado e subiu para R$ 8,4 bilhões.

O dinheiro do Fundo de Garantia é depositado mensalmente pelo empregador no caso dos funcionários com contratação por meio da CLT

O dinheiro do Fundo de Garantia é depositado mensalmente pelo empregador no caso dos funcionários com contratação por meio da CLT

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Entenda por que parte do dinheiro ficou retida

Em 2025, uma parcela desses recursos já havia sido liberada para trabalhadores demitidos. No entanto, parte do saldo permaneceu bloqueada porque a Caixa Econômica Federal entendeu que seria necessário reter um valor maior para garantir o pagamento de empréstimos feitos por quem antecipou os saques anuais.

O governo, por sua vez, defendeu que essa retenção deveria ser menor e destravou os valores com uma medida provisória, permitindo a nova rodada de pagamentos.

Consulta para o novo Desenrola Brasil terá data específica

Segundo o MTE, quem pretende usar o saldo remanescente do FGTS para quitar dívidas no novo Desenrola Brasil terá de aguardar até 25 de maio. A regra citada prevê a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1.000 (o que for maior), e a consulta ao valor disponível poderá ser feita nessa data.

Antes disso, haverá um processamento interno para separar o que será pago. Na prática, o saldo residual pode deixar de aparecer temporariamente no aplicativo ou na conta do FGTS nos dias que antecedem o crédito.

O MTE exemplifica a situação: se o trabalhador tiver R$ 2.000 no FGTS e R$ 1.000 forem do saldo residual a ser liberado, esses R$ 1.000 podem “sumir” momentaneamente durante o processamento. Depois, em 26 de maio, esse valor é depositado na conta-corrente do trabalhador, enquanto os outros R$ 1.000 permanecem como saldo que poderá ser destinado ao novo Desenrola Brasil.

Como funciona o bloqueio aplicado pela Caixa

A legislação permite que a Caixa, como agente operador do FGTS, bloqueie o valor necessário para assegurar pagamentos futuros de parcelas devidas a instituições financeiras — especialmente quando essas prestações serão quitadas com o saque-aniversário do trabalhador no ano.

Pelas regras, o valor retirado no saque-aniversário corresponde a uma fração de 5% a 50% do saldo total nas contas do FGTS, somada a uma parcela fixa. Por essa razão, a Caixa bloqueia uma quantia para garantir que o saque calculado seja suficiente para cobrir as prestações.

No fim do ano passado, o governo editou a MP 1.331, liberando o FGTS para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e não conseguiram sacar o saldo integral ao serem demitidos sem justa causa (até dezembro de 2025). Ainda assim, a Caixa manteve seu entendimento.

Já a interpretação do governo é que a retenção deveria se limitar ao valor exato das parcelas futuras, com base no texto da própria MP, que prevê a manutenção da “totalidade das garantias compromissadas”.

O que é o saque-aniversário

Criado em 2019 e em vigor a partir de 2020, o saque-aniversário é uma modalidade que permite ao trabalhador retirar uma parte do FGTS uma vez por ano. Em troca, ele abre mão do saque-rescisão: se houver demissão sem justa causa, recebe apenas a multa de 40% e não tem acesso ao saldo total do fundo.

O período para retirada começa no primeiro dia útil do mês de aniversário e se estende por três meses, terminando no último dia útil do segundo mês seguinte. Assim, quem faz aniversário em janeiro, por exemplo, pode sacar entre o primeiro dia útil de janeiro e o último dia útil de março.

FGTS: como é formado e quando pode ser sacado

O FGTS é abastecido por depósitos mensais feitos pelo empregador para trabalhadores contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O valor corresponde a 8% do salário.

A cada vínculo de emprego, é aberta uma nova conta vinculada ao FGTS. Para verificar o saldo, o trabalhador pode usar o aplicativo do FGTS.

O saque integral é permitido em situações específicas, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doenças graves ou morte do titular. Parte dos recursos também é direcionada pelo governo para programas de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura.

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