Lula defende limitar uso de IA perto das eleições e cita risco de manipulação e desinformação

Em evento do Minha Casa, Minha Vida em Camaçarí (BA), presidente disse apoiar veto nos dois dias anteriores ao pleito e pediu debate no Legislativo.

14/05/2026 às 16:13 por Redação Plox

Durante um evento do Minha Casa, Minha Vida em Camaçarí, na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) a adoção de medidas para limitar o uso de inteligência artificial no período eleitoral. Para ele, recursos capazes de reproduzir rostos e vozes podem abrir espaço para manipulações que beneficiem quem espalha desinformação. 


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) medidas para restringir o uso de inteligência artificial durante o período das eleições.

Foto: SEAUD/PR


Lula relatou que acompanhou a posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Nunes Marques, e disse ter aprovado a ideia mencionada na ocasião de proibir o uso de inteligência artificial nos dois dias que antecedem as eleições. Na avaliação do presidente, trata-se de uma tecnologia que, apesar de representar um avanço do mundo digital, pode ser usada para criar versões falsas de pessoas, com imagens e falas que não correspondem à realidade.

Risco de manipulação e impacto no voto

No discurso, Lula citou exemplos para ilustrar o potencial de distorção: com IA, seria possível atribuir a alguém uma voz ou um rosto que não são seus, ou ainda simular ações positivas ou negativas que nunca ocorreram. Para o presidente, esse tipo de fabricação pode influenciar a disputa política e favorecer conteúdos enganosos em um momento decisivo.

Embora tenha reconhecido a utilidade da inteligência artificial em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia, Lula questionou se, em eleições, a ferramenta seria necessária. Segundo ele, a escolha de representantes deve se apoiar em algo “verdadeiro”, e não em construções artificiais. O presidente também comparou a decisão do voto à escolha de um padrinho, argumentando que as pessoas tendem a confiar em quem conhecem e consideram íntegro, e não em uma imagem fabricada.

Debate no Legislativo e crítica à mentira na política

Lula afirmou que vinha refletindo sobre alternativas para impedir o uso de IA com objetivos eleitorais e sustentou que esse tipo de prática poderia servir a “mentirosos”. Ele disse que a política deve ser pautada pela verdade e voltou a criticar quem mente no ambiente público.

O presidente também lembrou que, ao vencer uma eleição, o candidato passa a representar a população e, por isso, não deveria mentir. Na avaliação dele, é preferível admitir que algo não poderá ser feito do que prometer e depois não cumprir. Lula defendeu que o tema seja analisado sob o ponto de vista legislativo, para que se discuta com franqueza como lidar com a inteligência artificial na política.

Campanha “artificial” e apelo por contato direto

Ao tratar dos riscos, Lula disse que, se fosse permitido, seria possível até criar um “Lula artificial” capaz de fazer comícios em 27 estados ao mesmo tempo, simulando presença onde não existe. Ele afirmou, ainda, que não aceitaria usar esse tipo de recurso em campanha, mencionando a formação de caráter que atribui à mãe, dona Lindu.

Para o presidente, a relação entre político e eleitor depende de contato direto: o candidato, disse, precisa encarar a população e permitir que as pessoas o observem de perto para identificar quem fala a verdade. Ao final, Lula retomou expressões populares sobre as consequências da mentira, afirmando que ela pode até demorar a ser desmascarada, mas traz prejuízos.

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