PF prende sete na 6ª fase da Compliance Zero e mira fraudes no sistema financeiro
Entre os alvos está Henrique Vorcaro; investigação cita suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A Polícia Federal apontou a presença de operadores ligados ao jogo do bicho na estrutura investigada por atuar em favor de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A informação aparece na decisão do ministro do STF André Mendonça, que autorizou, nesta quinta-feira (14), uma nova fase da Operação Compliance Zero. De acordo com o documento, o grupo mantinha um braço no Rio de Janeiro voltado a intimidações presenciais e ameaças para resguardar interesses do banqueiro.
Daniel Vorcaro preso
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Entre os investigados está Manoel Mendes Rodrigues, descrito pela PF como integrante da chamada “A Turma” e classificado como “empresário do jogo”. Segundo os investigadores, ele comandaria uma célula composta por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais, acionada para realizar ações de coerção física contra pessoas vistas como risco ao grupo associado a Vorcaro.
A investigação menciona um caso ocorrido em Angra dos Reis, em junho de 2024. Conforme a PF, integrantes do grupo teriam sido enviados à Marina Bracuhy para intimidar Luis Felipe Woyceichoski, comandante da embarcação Solar I, utilizada por Vorcaro. Ainda de acordo com a apuração, a sequência da ação teria incluído a ida a um hotel da cidade para ameaçar Leandro Garcia, ex-chefe de cozinha do empresário.
Na decisão, a PF relata que as medidas teriam sido antecedidas por determinações transmitidas por Daniel Vorcaro a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como coordenador operacional do esquema. O documento reproduz mensagens em que Vorcaro pede um “levantamento de tudo” sobre as vítimas e familiares e afirma que “teriam que ir pra cima”.
Em seguida, Mourão teria repassado mensagens atribuídas ao policial aposentado Marilson Roseno da Silva, indicando que os levantamentos estavam em andamento. Em outro trecho citado, aparece uma dúvida sobre qual seria a orientação exata:
“acompanhamento, monitoramento ou abordagem direta”.
Em depoimento à Polícia Federal, Woyceichoski afirmou que foi cercado por cerca de sete homens e ameaçado de morte. Ele relatou que um dos integrantes se apresentou como Manoel, disse ter ligação com o jogo do bicho e mencionou proximidade com Daniel Vorcaro.
A decisão também descreve discussões internas sobre monitoramento telefônico, acompanhamento das vítimas e ações “na mesma língua”, expressão que, para os investigadores, remeteria a intimidação direta. Para o ministro André Mendonça, Manoel seria um “instrumento de coerção” do grupo no Rio de Janeiro, e a prisão dele foi decretada pelo STF.
Além das ações presenciais, a PF afirma existir um núcleo cibernético chamado “Os Meninos”, que, segundo a investigação, atuaria com ataques virtuais, derrubada de perfis e monitoramento ilegal. Esse grupo, conforme a apuração, seria formado por David Henrique Alves, Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos.
A operação também alcançou policiais federais da ativa e aposentados suspeitos de repassar informações sigilosas ao esquema. Entre os citados estão o agente Anderson Wander da Silva Lima e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, que foi afastada do cargo por decisão do STF.
Procurada, a defesa de Henrique Moura Vorcaro declarou que a decisão do STF “se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo” e informou que pretende apresentar esclarecimentos para contestar as acusações. Até a publicação da reportagem, as defesas dos demais investigados não haviam se manifestado.