PF prende sete na 6ª fase da Compliance Zero e mira fraudes no sistema financeiro
Entre os alvos está Henrique Vorcaro; investigação cita suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Uma investigação da Polícia Federal aponta que uma delegada e agentes da corporação teriam alimentado o grupo ligado à família Vorcaro com informações sigilosas obtidas em consultas internas. O caso está no centro da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (14/5), que também teve como alvo o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Henrique Vorcaro foi preso em Nova Lima (MG) e levado para a sede da PF em Belo Horizonte, segundo a apuração. A ofensiva desta etapa ainda mirou quatro policiais federais — dois em atividade e dois já aposentados — apontados como suspeitos de atuar em favor do grupo investigado.
Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova operação sobre o Banco Master
Foto: Reprodução
Entre os alvos, estão a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, lotada na Polícia Federal de Minas Gerais, e o marido dela, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado. Os dois foram alvo de mandados de busca e apreensão, sob suspeita de repassar dados protegidos por sigilo.
De acordo com a investigação, Valéria obtinha informações por meio do e-Pol, plataforma interna da PF, e as repassava ao marido, descrito como ligação com o grupo associado aos Vorcaro. O documento que embasou a operação afirma que ambos teriam fornecido dados sigilosos a Marilson Roseno da Silva, também policial federal aposentado, com base em consultas indevidas no sistema.
A apuração indica que, em 2024, Valéria acessou um inquérito na Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo no qual Henrique Vorcaro havia sido intimado para depor. Conforme a investigação, a delegada não tinha atribuição relacionada a esse procedimento.
O material investigativo sustenta que, após pedido de informações sobre o inquérito, ela teria consultado o caso e repassado dados — diretamente ou por meio de Francisco — para Marilson, que então teria transmitido o conteúdo a integrantes da organização. Ainda segundo a PF, o nível de detalhe permitiria identificar o objeto da apuração e pessoas efetivamente visadas.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Valéria da função. Ele também proibiu a delegada de deixar o país e ordenou a apreensão do passaporte dela em até 24 horas.
Além do casal, outros dois policiais — um aposentado e um na ativa — também foram alvo de buscas, conforme a PF. O agente que trabalha na Superintendência do Rio de Janeiro, segundo o texto, foi alvo de mandado de prisão.
Os policiais federais citados como alvos nesta fase foram:
A Polícia Federal informou que agentes cumpriram, nesta quinta-feira, sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A decisão também incluiu afastamento de cargos públicos no caso dos policiais investigados, além de sequestro e bloqueio de bens.
Em nota, a PF declarou que a operação busca aprofundar apurações sobre uma organização criminosa suspeita de promover intimidação e coerção, obter informações sigilosas e realizar invasões a dispositivos informáticos. Entre os crimes investigados, a corporação citou ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Na fase anterior da Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (7), a PF cumpriu um mandado de prisão temporária e 10 de busca e apreensão. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, aparece entre os investigados, segundo o texto.
Já na quarta fase, em 16 de abril, foram presos preventivamente o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema fraudulento atribuído a Daniel Vorcaro.
O histórico da operação indica que, nas quatro primeiras etapas, a PF cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades federativas (Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo). A Justiça, a pedido da corporação e do Ministério Público, determinou ainda o sequestro ou bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de eventuais cargos públicos.