Governo anuncia pacote para conter alta dos combustíveis com subsídio de até R$ 0,89 na gasolina
Desconto ainda depende de ato do Ministério da Fazenda e pode começar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro, segundo o Planejamento.
Meses antes de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a suspensão de itens líquidos fabricados pela Química Amparo, a Unilever — multinacional responsável por marcas como Omo, Comfort e Cif — já havia comunicado às autoridades a suspeita de contaminação microbiológica em produtos da Ypê. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo g1 após a análise de documentos enviados pela empresa à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
Nos registros acessados, a Unilever relata que identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em lotes de lava-roupas líquidos e detergentes da marca concorrente. As comunicações apontavam, segundo a companhia, risco à saúde e à segurança de consumidores.
Sabão da marca OMO
Foto: Reprodução/YouTube OMO Brasil
Uma das denúncias foi protocolada em outubro de 2025. Nela, a Unilever afirma ter encontrado a bactéria em quatro lotes de produtos Tixan Ypê Express, após análises internas e exames conduzidos pelo laboratório Charles River, descrito no documento como detentor de “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.
De acordo com os documentos, os lotes avaliados pertenciam às versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todos com validade até junho de 2027. A empresa descreveu a situação como um “desvio microbiológico relevante” e mencionou “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”. *
Na descrição técnica enviada às autoridades, a multinacional sustenta que houve “identificação genética perfeita” do microrganismo nos quatro lotes e afirma que não existia “distanciamento genético” entre o DNA detectado nas amostras e o material usado como referência pelo laboratório.
O mesmo relato informa que a empresa teria tomado conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de produtos Tixan Ypê Express no mercado, o que, segundo o documento, teria levado ao aprofundamento das análises laboratoriais.
Já em março de 2026, a Unilever apresentou uma nova denúncia, afirmando que outros 14 lotes da linha Ypê teriam apresentado contaminação microbiológica em exames conduzidos pelo laboratório Eurofins. Entre eles, estariam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e um lote de detergente Ypê Lava-Louças Neutro.
Segundo a denúncia, todos esses lotes teriam apresentado Pseudomonas aeruginosa, a mesma bactéria mencionada no comunicado anterior e também associada a produtos que, posteriormente, seriam alvo de recall determinado pela Anvisa.
O texto encaminhado pela Unilever ainda indica que, em sete dos 14 lotes analisados, teriam sido identificados traços genéticos de outras bactérias, como Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. A empresa afirma que muitos desses microrganismos poderiam representar risco à saúde humana.
Com base nesses resultados, a multinacional solicitou às autoridades a ampliação do recall e a abertura de processo administrativo para apurar a conduta da Química Amparo.
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções no complexo industrial da Química Amparo em Amparo (SP). Neste mês, a agência determinou a interrupção da fabricação e da comercialização de produtos líquidos feitos no local, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
Procuradas pelo g1, Anvisa e Química Amparo não retornaram até a última atualização da reportagem.
realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas.
Unilever