PF faz operação contra venda de supostas vagas na faculdade de medicina da UFMG

14/09/2020 14:07

A operação nomeada "Hipócrates" foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (14) e pretende desmanchar uma quadrilha de criminosos suspeita de comercializar vagas falsas na escola

A Polícia Federal (PF) iniciou na manhã desta segunda-feira (14) uma grande operação para combater a ação de uma quadrilha acusada de comercializar supostas vagas na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apuração aponta que os integrantes do grupo criminoso ofereciam a oportunidade de ingresso na universidade em troca de dinheiro e bens. Entretanto, após a negociação, os compradores não conseguiam começar seus estudos, uma vez que as vagas oferecidas jamais existiram. Em cerca de um ano, os suspeitos movimentaram aproximadamente R$ 1 milhão em contas ligadas à negociata.

A farsa era descoberta quando compradores procuravam a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e descobriam que o negócio não existia  Foto: CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO

A farsa era descoberta quando compradores procuravam a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e descobriam que o negócio não existia

Foto: CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO

Como parte da operação nomeada “Hipócrates”, a Polícia Federal representou pelo bloqueio de contas pertencentes a integrantes da quadrilha. A Justiça expediu contra eles mandados de busca e apreensão cumpridos ainda nesta manhã nos municípios de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, Goiânia em Goiás e Rio de Janeiro. Os suspeitos são acusados de cometer crimes de estelionato, falsificação de documentos, uso de documento falso e associação criminosa. Ainda não se sabe quantos compradores foram lesados pela quadrilha, nem quantos membros compõem o grupo.

Papel timbrado e assinaturas

Denúncias contra a quadrilha começaram a ser apuradas há mais de um ano, de acordo com a Polícia Federal. Existem, aliás, fortes indícios de que os suspeitos também exerciam a prática criminosa em outras regiões do país – acredita-se que eles vendiam supostas vagas também em faculdades públicas de outros municípios ainda não detalhados. Os suspeitos preparavam uma grande encenação para enganar os compradores. Segundo a PF, os estelionatários criavam documentos com timbres e assinaturas de supostos funcionários da Faculdade de Medicina da UFMG para apresentá-los aos clientes. Antes da compra ser efetuada, eles até realizavam reuniões para entrega de tais documentos mentirosos nas próprias dependências da universidade. O intuito da encenação era garantir legitimidade às negociações ilícitas.

A compra era concluída no instante em que o interessado emitisse um depósito bancário endereçado à quadrilha. Alguns dos compradores chegavam a repassar carros como parte do pagamento. Contudo, após a negociação, o comprador não conseguia ingressar na universidade. A farsa era descoberta quando estes clientes procuravam a UFMG. De acordo com a PF, contas bancárias ligadas à quadrilha movimentaram mais de R$ 1 milhão apenas no período em que a investigação ocorria.

Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/pf-faz-operacao-contra-venda-de-supostas-vagas-na-faculdade-de-medicina-da-ufmg-1.2384976