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    Hidroxicloroquina pode impedir funções básicas do DNA, afirmam pesquisadores

    Estudo realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) mapeia interação danosa do medicamento com moléculas

    Por Plox

    14/11/2020 11h39 - Atualizado há 10 meses

    Pesquisadores da Universidade de Viçosa (UFV) conseguiram mapear mais indícios do quão temerário e prejudicial pode ser o uso indiscriminado da hidroxicloroquina. O medicamento chegou a ser defendido pelo presidente Bolsonaro para tratamento de Covid-19, apesar da total falta de comprovação científica até então.

    A equipe formada por pesquisadores da física, química e a biologia procurou compreender como se dá o mecanismo de ação do medicamento em sua interação com moléculas. “Sabidamente os fármacos que têm essa capacidade de interagir com o DNA têm grande potencial de causar efeitos colaterais, alguns até mais sérios”, explica o professor Márcio Rocha, do Departamento de Física da UFV, um dos autores do estudo. Também assinam a pesquisa o doutorando Tiago Moura, do Programa de Pós-Graduação em Física da UFV, e Raniella Bazoni, ex-aluna de doutorado e atualmente professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

    Segundo Rocha, a equipe identificou duas formas de interação da hidroxicloroquina com o DNA. Em baixas concentrações, sua afinidade química é muito grande e provoca ligação com a fenda menor da dupla-hélice, elemento constitutivo da estrutura molecular. “Essa ligação pode comprometer as funções do ciclo celular”, explica o cientista. Quando em altas concentrações, a hidroxicloroquina se liga ao DNA de outra forma: intercala entre os pares de base da dupla-hélice da molécula, o que pode até impedir o desempenho de suas funções básicas, provocando inclusive efeitos colaterais.

    Quais desdobramentos possíveis dessa interação no corpo humano, no entanto, são perguntas impossíveis de responder a partir do estudo da universidade mineira.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso da hidroxicloroquina para pacientes da Covid-19Foto: Diego Vara / Reuters

    Nem toda interação de medicamento com DNA é danosa, e o pesquisador cita como exemplo casos de fármacos utilizados no combate ao câncer. “Os medicamentos usados em quimioterapias têm como foco interagir com o DNA, mas geralmente se escolhe um fármaco que barre a replicação da molécula, o que causa a morte do tumor”, revela. No caso da hidroxicloroquina, no entanto, a hipótese de efeitos colaterais tem sido presente, segundo apontam as pesquisas.

    Diante de mais essa constatação sobre o medicamento, reconhecido principalmente no tratamento contra lúpus e artrite reumatóide, o cientista alerta sobre o perigo da automedicação. “A hidroxicloroquina tem esse potencial forte de interação com o DNA, portanto é um remédio que não se pode comprar livremente na farmácia como se faz com aspirina. Precisa ter acompanhamento médico”, completa.

    A equipe pretende seguir nos estudos sobre o tema. O próximo passo é aplicar a mesma técnica, mas utilizando células vivas. Também é prevista a análise sobre a interação da cloroquina com o DNA.

    Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/hidroxicloroquina-pode-impedir-funcoes-basicas-do-dna-afirmam-pesquisadores-1.2412381
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