STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Um levantamento recente realizado pelo Ministério da Justiça revela um cenário alarmante dentro do sistema carcerário brasileiro: a presença marcante e crescente das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) em quase todas as unidades da federação. Essas organizações, originárias do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, demonstram uma expansão significativa, marcando presença em 24 estados e no Distrito Federal.

De acordo com os dados coletados, o CV atualmente opera em presídios de 21 estados, um aumento de seis unidades em comparação ao ano anterior. O PCC, por sua vez, está presente em 23 estados, evidenciando um crescimento igualmente preocupante.
Esta informação vem à tona após um meticuloso trabalho de investigação jornalística que analisou mais de 200 documentos, incluindo relatórios de inteligência, dados governamentais, e informações provenientes de diversas fontes, como advogados e membros das próprias facções.
Um dos pontos críticos deste fenômeno é a influência dessas facções fora das grades prisionais. Um exemplo notório ocorreu no Amazonas, onde membros do Comando Vermelho ameaçaram funcionários do sistema prisional e se recusaram a retornar às celas, oferecendo R$ 50 mil pela morte de um servidor. Este e outros incidentes semelhantes ilustram o nível de poder e audácia desses grupos.
O Comando Vermelho, fundado em 1979, já domina o Amazonas, uma rota estratégica para o tráfico internacional de drogas. A facção vem expandindo significativamente seu alcance nos últimos anos, marcando sua presença com uma série de conflitos violentos.
A Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), ligada ao Ministério da Justiça, aponta que existem atualmente 70 facções criminosas operando dentro das cadeias brasileiras. Destas, somente o Comando Vermelho e o PCC têm abrangência nacional. Outras 13 atuam regionalmente, enquanto 55 possuem influência mais localizada.
Especialistas apontam que este cenário é um sintoma do descontrole do poder público sobre o sistema penitenciário. A incapacidade de isolar lideranças criminosas, que continuam a comandar atividades ilícitas mesmo de dentro das prisões, e as condições precárias das cadeias, que facilitam o recrutamento de novos membros, são fatores que contribuem para o fortalecimento dessas organizações.
Em resposta, o Governo do Amazonas declarou que vem realizando investimentos significativos na segurança pública e no sistema prisional, visando melhorar a estrutura das unidades, implementar medidas de segurança avançadas, e capacitar melhor os agentes penitenciários.