Corredor de apoio e buzinaço emocionam menina a caminho da última quimioterapia em BH

Vídeo gravado na avenida Antônio Carlos, após pedido de “Buzine!” no carro, repercutiu nas redes em 15/5

15/05/2026 às 17:30 por Redação Plox

O que costuma ser barulho de pressa no trânsito ganhou outro sentido em Belo Horizonte. Na última quinta-feira (7/5), motoristas e motociclistas transformaram a avenida Antônio Carlos em um corredor de apoio para Maria Alice Martins dos Reis, de 4 anos, que seguia com a família para a última sessão de quimioterapia no Hospital das Clínicas da UFMG. No vidro traseiro do carro, um recado simples convocou a cidade:

“Meu nome é Maria, tenho 4 anos e hoje é minha última quimioterapia. Buzine!”.
Vídeo do momento viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira (15/5) e emocionou milhares de pessoas

Vídeo do momento viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira (15/5) e emocionou milhares de pessoas

Foto: Arquivo pessoal


Recado no carro mobiliza desconhecidos e viraliza

As buzinas vieram em sequência, como se fossem aplausos, e o momento acabou registrado em vídeo. As imagens circularam nas redes sociais nesta sexta-feira (15/5), emocionando milhares de pessoas e alcançando grande repercussão.

A mãe da menina, Jéssica Martins dos Reis, de 31 anos, contou a O TEMPO que não esperava uma reação tão intensa. Segundo ela, a manifestação dos desconhecidos mudou o clima do dia, que poderia ser marcado por tensão, e virou uma lembrança que a família pretende guardar.*

Do diagnóstico ao fim de um ciclo de tratamento

De acordo com Jéssica, Maria recebeu em novembro de 2024 o diagnóstico de meduloblastoma, um tumor maligno localizado na região da nuca. Poucos dias depois, a criança passou por cirurgia para retirada do tumor. A partir daí, enfrentou uma longa rotina: foram 30 sessões de radioterapia e oito ciclos de quimioterapia, encerrados na quinta-feira (7/5), após mais de um ano e meio de tratamento.

Como a menina enxergava o hospital — e o que mais a abalou

A mãe relata que a filha ainda não entende totalmente a dimensão do que viveu. Para Maria, as idas ao hospital eram momentos de “tomar sorinho”. Ainda assim, houve um aspecto que a atingiu de forma mais direta: a queda de cabelo, que, segundo Jéssica, fez a menina chorar com frequência.

Na reta final, a expectativa pelo último dia de quimioterapia foi tanta que Maria chegou a ter febre antes da sessão. Jéssica disse que a filha acreditava que, ao tocar o sino que marca o encerramento dessa etapa, o cabelo voltaria a crescer imediatamente.

Mesmo com internações e fases delicadas, a mãe afirma que Maria atravessou o processo sem perder a alegria, mantendo o sorriso em momentos que, para ela, seriam difíceis até para um adulto.

Uma ideia antiga que ganhou outra dimensão

O cartaz improvisado no vidro não surgiu por acaso. A ideia, segundo Jéssica, já havia sido usada meses antes, quando Maria concluiu as sessões de radioterapia. Naquela ocasião, alguns motoristas responderam, mas nada parecido com o que se viu agora — desta vez, ela descreve que a vibração tomou conta do trajeto.

Maria estava dormindo no banco de trás quando as primeiras buzinas começaram. A mãe precisou acordá-la para que percebesse o que acontecia ao redor. Jéssica lembra que a filha ficou animada e repetia a pergunta, tentando entender se a homenagem era para ela.

A família também se surpreendeu com o alcance do registro: o vídeo se espalhou por perfis nas redes sociais e apareceu em reportagens, algo que, segundo a mãe, ela não imaginava que aconteceria.

Medo antes da cirurgia e alívio depois

Jéssica conta que o início da caminhada foi marcado por apreensão. Antes da cirurgia, a família ouviu dos médicos alertas sobre os riscos do procedimento, incluindo a possibilidade de morte na sala cirúrgica ou de sequelas graves.

Maria, no entanto, saiu da cirurgia sem sequelas e sem necessidade de intubação. A mãe diz que viveu o resultado como um milagre e recorda que, em diversos momentos, recorreu às redes sociais em lágrimas durante internações em que, segundo ela, não se sabia o que estava acontecendo com a filha.

Ela também destaca o atendimento no Hospital das Clínicas como parte importante do suporte que recebeu, citando médicos e enfermeiros pela assistência prestada.

Acompanhamento segue e despesas mantêm vaquinha ativa

Apesar do encerramento da quimioterapia, o tratamento de Maria ainda não terminou. A criança seguirá em acompanhamento para monitorar a recuperação e, se necessário, utilizar novas medicações.

A rotina continua exigindo deslocamentos. A família mora em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e precisa ir até a capital, onde a menina faz o tratamento. Sem conseguir transporte público especializado pelo SUS, os pais passaram a usar o próprio carro. Jéssica afirma que os gastos com combustível chegam a cerca de R$ 2 mil por mês, além de estacionamento e suplementos alimentares.

Para ajudar a cobrir as despesas, ela mantém uma vaquinha virtual e realiza rifas divulgadas nas redes sociais, onde compartilha a rotina da filha desde o diagnóstico. A chave Pix para doações, segundo o texto, está disponível no perfil de Jéssica no Instagram.

Uma avenida que parou para celebrar

Entre as lembranças daquela quinta-feira, a mãe resume o que ficou: afeto e esperança. Enquanto o carro avançava pela avenida, Maria seguia no banco de trás sorrindo — e, por alguns minutos, Belo Horizonte trocou a pressa por uma celebração coletiva da coragem de uma criança de 4 anos.

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