Excesso de peso vira principal fator de risco à saúde no Brasil e supera hipertensão
Análise do Estudo Global sobre Carga de Doenças relaciona a mudança a hábitos das últimas décadas, como menor atividade física e maior consumo de ultraprocessados.
15/05/2026 às 17:40por Redação Plox
15/05/2026 às 17:40
— por Redação Plox
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O excesso de peso passou a ocupar o topo das ameaças à saúde da população brasileira. De acordo com a análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, a obesidade ultrapassou a hipertensão — que liderou o ranking por décadas — e, agora, a pressão alta aparece em segundo lugar. Na sequência, surge a glicemia elevada.
Excesso de peso passou a ocupar o topo das ameaças à saúde da população brasileira.
Foto: Imagem criada por Inteligência Artificial
O diagnóstico integra um levantamento conduzido por milhares de pesquisadores em mais de 200 países e teve o recorte brasileiro publicado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health - Americas.
Mudanças no modo de viver ajudaram a redesenhar o mapa de riscos
O estudo aponta que transformações expressivas no estilo de vida ao longo das últimas décadas, como o avanço da urbanização, influenciaram esse cenário. Entre os efeitos associados estão a redução da atividade física e a adoção de dietas mais calóricas, com alto teor de sal e maior presença de alimentos ultraprocessados.
Na mesma linha, o endocrinologista Alexandre Hohl, integrante da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, avalia que esses hábitos favorecem um “ambiente obesogênico” no país e classifica a obesidade como um dos principais desafios de saúde pública a serem enfrentados.
A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer.
Alexandre Hohl
Comparação com 1990 mostra avanços e retrocessos
O contraste com os registros de 1990 ajuda a dimensionar a virada. Naquele ano, os maiores fatores de risco eram, nessa ordem, hipertensão, tabagismo e poluição do ar por materiais particulados. O IMC elevado (indicador usado para medir obesidade) ocupava apenas a sétima posição, enquanto a glicemia elevada aparecia em sexto.
Em 2023, o quadro se inverteu: a obesidade assumiu a liderança após um crescimento contínuo no risco atribuído, que somou 15,3% desde 1990.
Os dados também trazem sinais de melhora em alguns pontos. Entre 1990 e 2023, o risco de morte ou perda de qualidade de vida associado à poluição particulada do ar diminuiu 69,5%. Houve ainda quedas próximas de 60% em fatores como tabagismo, prematuridade e baixo peso ao nascer, além do colesterol LDL elevado.
Apesar da tendência histórica de redução do tabagismo, o período de 2021 a 2023 registrou um pequeno avanço de 0,2% no risco relacionado ao hábito, após anos de queda sustentada.
Outro ponto que se destaca é o crescimento do risco atribuído à violência sexual na infância, que aumentou quase 24%. Esse item, que estava na 25ª colocação em 1990, chegou ao 10º lugar em 2023.
Os 10 principais fatores de risco em 2023
Segundo a lista atual do estudo, os maiores fatores de risco para mortalidade ou perda de qualidade de vida são: