Flávio Bolsonaro diz estar “100% disposto” a divulgar contrato de filme e nega ilegalidade
Senador afirmou à CNN que o acordo foi firmado nos EUA com um fundo privado e citou regras de compliance; ele também contestou valores apontados em reportagem do Intercept
15/05/2026 às 17:51por Redação Plox
15/05/2026 às 17:51
— por Redação Plox
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Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (15), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, voltou a afirmar que não vê ilegalidade na relação com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Ele disse estar “100% disposto” a tornar público o contrato ligado ao investimento no filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
(Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)
Contrato nos EUA e cobrança por prestação de contas
Segundo Flávio, o acordo foi firmado nos Estados Unidos com um fundo privado e, por isso, estaria sujeito a regras de compliance. Ele afirmou, no entanto, que considera importante dar transparência ao caso e que pediu à equipe que está no país que buscasse uma prestação de contas junto à produtora, responsável por executar o contrato.
“Estou 100% disposto a isso (divulgar o contrato). Agora é um contrato nos Estados Unidos, com um fundo privado, que tem as regras de compliance. Não sei se eles têm o mesmo entendimento que eu. Mas acho muito importante, isso que pedi para a equipe que está nos EUA, para que houvesse uma prestação de contas por parte da produtora, que é quem executava esse contrato”, disse o senador.
Flávio Bolsonaro
Pedido de US$ 24 milhões e depósito de cerca de US$ 12 milhões
Reportagem do The Intercept Brasil apontou que Flávio teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro — valor que, na cotação da época, foi estimado em R$ 134 milhões. O senador declarou que, embora esse tenha sido o montante pedido, o que entrou efetivamente equivaleria a pouco mais de US$ 12 milhões. Ele sustentou que o dinheiro foi integralmente direcionado ao custeio do filme “Dark Horse”.
Investigação da PF e suspeitas sobre gastos nos Estados Unidos
A Polícia Federal apura a suspeita de que recursos atribuídos a Vorcaro tenham sido usados para financiar a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Flávio já reconheceu que os depósitos eram feitos em um fundo gerido pelo advogado Paulo Calixto, responsável por questões migratórias de Eduardo, mas insistiu que a destinação teria sido exclusivamente para a produção do filme.
Senador atribui vazamentos a disputa eleitoral
O senador também avaliou que a divulgação dos áudios e mensagens envolvendo ele e o ex-banqueiro tem motivação eleitoral. Na entrevista, disse que o material veio a público agora por ele ser pré-candidato e afirmou que pesquisas indicariam vantagem do grupo político ao qual pertence.
“Videozinho” e encontros: Flávio nega vínculo social
Flávio afirmou considerar possível que apareçam novos conteúdos envolvendo Vorcaro, como algum vídeo, mas declarou que qualquer contato teria se limitado a temas relacionados ao projeto cinematográfico. Ele acrescentou que não viajou com o empresário, nem mantinha convívio social, descrevendo a conexão entre os dois como restrita ao investimento no “Dark Horse”.
Mensagens e cronologia citadas pelo Intercept
De acordo com o que foi noticiado pelo Intercept, Flávio e Vorcaro trocaram mensagens nos dias 15 e 16 de novembro do ano passado. O veículo relata que, nesse contato, Flávio teria dito que estaria “sempre” com o empresário. O mesmo levantamento informa que Vorcaro foi preso pela PF no dia 17, quando tentava deixar o país em um avião particular, em meio à apuração sobre uma fraude bilionária do Banco Master contra o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), apontada como o maior escândalo financeiro do Brasil. No dia 18, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, encerrando as atividades da instituição.
Ainda conforme o Intercept, a troca de mensagens teria começado às 15h46 do dia 15, com Vorcaro escrevendo para Flávio. O senador respondeu em seguida e, no dia 16, novas mensagens foram enviadas, incluindo conteúdos com visualização única. O veículo também comparou esse recurso ao que teria sido utilizado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes para manter em sigilo mensagens encaminhadas a Vorcaro no WhatsApp.