Lula defende comida de qualidade para baixa renda em meio à alta de carnes e hortaliças
Em Camaçari, presidente citou picanha, alcatra, maminha e tomate; IPCA apontou fortes reajustes no último trimestre.
15/05/2026 às 17:12por Redação Plox
15/05/2026 às 17:12
— por Redação Plox
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Durante a cerimônia de reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, nesta quinta-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou um tema que marcou sua campanha de 2022: a ideia de ampliar o acesso da população a cortes de carne considerados mais valorizados. No discurso, ele voltou a citar a “picanha” e incluiu outros cortes, como alcatra e maminha.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Foto: SEAUD/PR
Ao falar para colaboradores e autoridades presentes, Lula defendeu que a população de menor renda deveria ter condições de comprar alimentos frescos e de qualidade, sem depender da chamada “xepa”, vendida nos horários finais das feiras. O presidente também mencionou o tomate como exemplo, item que, segundo dados recentes do IBGE, registrou alta expressiva no período.*
Promessa de dignidade no consumo
Na parte central do pronunciamento, Lula afirmou que seu governo tem como foco atender os mais pobres e sustentou que esse público também deseja consumir produtos melhores, estudar e se vestir bem. Ele argumentou que a busca por qualidade não deveria ser um privilégio e associou o tema à possibilidade de o trabalhador ter mais poder de compra.
Eu nasci para fazer com que os pobres tenham o direito de andar de cabeça [erguida] neste país. Porque o pobre gosta de se vestir bem, gosta de estudar, gosta de comer produtos de primeira qualidade
Luiz Inácio Lula da Silva
Em outro trecho, o presidente disse que não pretende aceitar que a população só encontre, na feira, alimentos amassados ou de menor qualidade ao fim do expediente. E reforçou que o objetivo é permitir que o trabalhador possa escolher cortes mais nobres, citando picanha, alcatra e maminha ao lado de outros exemplos.
Carne bovina acumula altas no mandato
Apesar do discurso, os preços da carne bovina registraram aumentos relevantes no período recente. Em 2024, a alta foi de 8,7%, a maior em três anos. Já um levantamento da USP, que reúne dados de 2024 e 2025, aponta que, no atacado de São Paulo, o aumento chegou a 45%.
Feira mais cara e pressão sobre verduras e legumes
Os números mais recentes do IPCA, divulgados pelo IBGE na última terça-feira (12), mostram que itens comuns nas compras do dia a dia tiveram reajustes fortes no último trimestre. A cenoura liderou a alta, com 79,35%, enquanto o tomate subiu 54,34%. Na sequência, aparecem pepino (48,6%) e abobrinha (36,1%). Outros produtos, como repolho, cebola, morango, batata-inglesa, couve-flor e brócolis, tiveram aumentos entre 20% e 30%.
De acordo com José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, parte desse movimento está relacionada a restrições de oferta e ao encarecimento do transporte. Ele citou ainda a elevação no preço dos combustíveis como fator que impacta diretamente o custo do frete e, consequentemente, o valor final dos alimentos.
Combustíveis e tensão no Oriente Médio entram no radar
O texto do indicador também relaciona a pressão sobre combustíveis aos conflitos no Oriente Médio. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz é apontado como um dos focos de disputa entre Estados Unidos e Irã, por ser rota de cerca de 20% de todo o petróleo utilizado no mundo.