Crítica de Zema a Flávio Bolsonaro expõe atrito entre Novo e PL na disputa por 2026
Ex-governador chamou de “imperdoáveis” mensagens atribuídas ao senador sobre busca de patrocínio para filme; Eduardo Bolsonaro reagiu e cobrou resistência a alianças.
15/05/2026 às 12:10por Redação Plox
15/05/2026 às 12:10
— por Redação Plox
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A troca de acusações entre Romeu Zema (Novo) e integrantes do PL abriu um novo foco de atrito entre os dois partidos justamente quando a direita tenta costurar entendimentos para as eleições de 2026. O estopim foi a reação pública do ex-governador de Minas Gerais a mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a busca de recursos privados para o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Zema fez duras críticas
Foto: Redes sociais
As críticas de Zema ganharam força após a divulgação de áudios e conversas em que Flávio aparece tratando de repasses para viabilizar a produção. O senador reconheceu que procurou patrocínio junto à iniciativa privada, mas negou qualquer irregularidade. De acordo com a Associated Press, o conteúdo das mensagens aponta um pedido de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Flávio, por sua vez, sustentou que o projeto teria caráter privado e não envolveria contrapartidas.
Crítica de Zema amplia desgaste entre Novo e PL
Nas redes sociais, Zema classificou como “imperdoáveis” as mensagens atribuídas ao senador e afirmou que cobrar dinheiro de Vorcaro seria “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. Também disse que, para promover mudanças no país, é necessário “ter credibilidade para mudar o Brasil”. A manifestação repercutiu no entorno de Jair Bolsonaro e aprofundou o incômodo em setores do PL, que disputa espaço com o Novo na construção de uma candidatura presidencial de direita.
Eduardo Bolsonaro reage e defende endurecimento contra alianças
A resposta mais contundente veio de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal chamou Zema de “vil” e o acusou de atacar Flávio sem base. Dentro do PL, a crise estimulou a defesa de uma postura mais resistente a possíveis acordos com o Novo em eleições majoritárias, com foco especial em disputas para governos estaduais e Senado, como reação às declarações do político mineiro.
Doação de 2022 vira munição no contra-ataque
No contra-ataque, Eduardo Bolsonaro divulgou registros de uma doação de R$ 1 milhão feita em 2022 por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao diretório do Novo em Minas Gerais. Segundo reportagens que consultaram dados do TSE, a doação aparece nas prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral. Zema declarou que o valor foi destinado ao partido — e não à campanha dele — e garantiu que “nenhum centavo” entrou em sua campanha de reeleição.
Prisão de Henrique Vorcaro e nota do Novo
Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que foi autorizada pelo STF a pedido da Polícia Federal. A apuração investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. Em nota enviada à imprensa, o Novo afirmou que a doação foi legal, transparente e devidamente registrada na Justiça Eleitoral, além de argumentar que, em 2022, as suspeitas relacionadas ao banco ainda não eram conhecidas.
Impacto nas articulações para 2026
O embate ocorre em um período delicado para a direita, que tenta organizar alianças nacionais e arranjos regionais com foco em 2026. A disputa pública entre Zema e aliados de Bolsonaro adiciona incertezas à relação entre Novo e PL e pode complicar negociações em estados onde as duas siglas pretendem disputar protagonismo.