PF mira Cláudio Castro e empresário da Refit; Interpol inclui Ricardo Magro na difusão vermelha

Operação Sem Refinamento tem ordem do ministro Alexandre de Moraes e apura suspeitas de fraudes no setor de combustíveis, com busca e apreensão e mandado de prisão.

15/05/2026 às 10:25 por Redação Plox

BRASÍLIA – A operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (15/5) mira, além do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

Radicado nos Estados Unidos desde 2016, Magro passou a integrar a lista de difusão vermelha da Interpol, que reúne pessoas procuradas em diferentes países.

Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio de 2026

Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio de 2026

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Pedido de cooperação aos EUA entrou na pauta de Lula e Trump

Antes da ação desta sexta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoio para a prisão e a extradição de Ricardo Magro.

A demanda foi apresentada em conversas sobre enfrentamento ao crime organizado transnacional e sobre medidas voltadas a estrangular financeiramente grandes esquemas de corrupção. Segundo o relato, Lula entregou informações detalhadas, incluindo endereços de brasileiros foragidos em território norte-americano.

PF investiga fraudes no setor de combustíveis

Batizada de Operação Sem Refinamento, a investigação apura suspeitas de fraudes no mercado de combustíveis.

No caso de Cláudio Castro, foi expedido mandado de busca e apreensão. Já Ricardo Magro é alvo de mandado de prisão.

Além de comandar a Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, o empresário mantém negócios fora do país, com atuação mencionada nos Estados Unidos e em Portugal.

Histórico de apurações e suspeitas

Nos últimos anos, Ricardo Magro apareceu em diferentes investigações no Brasil.

Ex-advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, ele chegou a ser preso em 2016, durante apurações sobre supostos desvios nos fundos de pensão Petros e Postalis, mas depois foi absolvido.

Em 2025, o empresário voltou a ser alvo nas operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono, que investigam suspeitas de sonegação fiscal bilionária e lavagem de dinheiro por meio de offshores e empresas de fachada.

As apurações também apontam para possíveis ligações financeiras com o crime organizado, incluindo a suspeita de fornecimento de combustíveis a postos associados à facção PCC.

Dívidas e restrições já impostas à refinaria

A Refit acumula débitos tributários e de ICMS que ultrapassam R$ 26 bilhões, valor que a coloca como o maior devedor contumaz de impostos do país, conforme a apuração citada.

A Refinaria de Manguinhos também já foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), por causa de adulterações e irregularidades operacionais no processo de destilação.

Autorização no STF e medidas determinadas

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também ordenou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros.

Ao todo, policiais federais cumpriram 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.

Entre os atingidos por afastamento, está um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

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