STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, levantou a hipótese de que a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, possa ter provocado sozinha as marcas encontradas em seu pescoço antes de morrer com um tiro na cabeça, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo. Segundo ele, a policial conhecia procedimentos da corporação e poderia ter se ferido com a intenção de incriminá-lo. O oficial sustenta, desde o início, que a mulher tirou a própria vida.
Questionado sobre as marcas no pescoço da esposa PM, tenente-coronel Geraldo Neto levantou a hipótese de ela própria ser autora das lesões
Foto: Reprodução/Instagram
Em entrevista à TV Record, Neto sugeriu que a própria Gisele teria machucado o pescoço utilizando as mãos, valendo-se de seu conhecimento profissional sobre protocolos policiais para deixar marcas que pudessem incriminá-lo. O oficial também apresentou outra explicação para as lesões: de acordo com ele, as marcas poderiam ter sido causadas pela filha de 7 anos da soldado, que, segundo seu relato, costumava se agarrar ao pescoço da mãe quando se cansava de andar.
Para se defender das suspeitas, o tenente-coronel afirmou que tem o hábito de roer as unhas e argumentou que, por isso, não seria responsável pelas lesões identificadas no pescoço da esposa. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) aponta a existência de marcas de unha na região.
Nem unha eu tenho
tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, em entrevista à TV Record
Mensagens trocadas pelo oficial indicam que Neto monitorava conversas de Gisele, segundo o material divulgado. Paralelamente, o caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da PM apura denúncias envolvendo o relacionamento do casal.
Mensagens trocadas pelo oficial indicam que Neto monitorava conversas de Gisele
Foto: Reprodução
O tenente-coronel figura formalmente como parte na investigação e repete, em seus depoimentos e declarações públicas, a versão de que a esposa cometeu suicídio. A defesa do oficial afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda a conclusão dos inquéritos e dos laudos para o esclarecimento completo dos fatos.
Questionado sobre as marcas no pescoço da esposa PM, tenente-coronel Geraldo Neto levantou a hipótese de ela própria ser autora das lesões
Foto: Reprodução
Na manhã de 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça na sala do apartamento em que vivia com o tenente-coronel, no Brás. Ela recebeu atendimento de equipes do Corpo de Bombeiros e foi levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico causado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
Em entrevista, Neto relatou que, algumas horas antes do disparo, acordou e conversou com a esposa sobre a necessidade de separação. Ainda segundo o relato, Gisele reagiu mal, empurrando-o para fora do quarto e batendo a porta com força. O tenente-coronel afirmou que, em seguida, foi tomar banho.
Enquanto estava no chuveiro, disse ter ouvido um barulho de tiro. Ao sair do banheiro, relatou ter visto a esposa caída. Ele afirmou ainda que deixou a porta do apartamento aberta para manter o que chamou de “transparência” e que chegou a menos de dois metros do corpo de Gisele, mas não tocou nem nela, nem na arma utilizada no disparo. Moradores do prédio contaram ter ouvido um forte estrondo naquela manhã.
Questionado sobre as marcas no pescoço da esposa PM, tenente-coronel Geraldo Neto levantou a hipótese de ela própria ser autora das lesões
Foto: Reprodução
O depoimento da mãe de Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, acrescenta elementos sobre o clima dentro do apartamento onde o casal vivia. Segundo ela, a filha de 7 anos da policial – que é neta de Marinalva – chegou à casa da família visivelmente abalada após deixar o imóvel onde estava com a mãe e o padrasto.
No relato prestado à polícia, Marinalva afirmou que, em uma terça-feira, o pai biológico da criança buscou a menina na casa de Gisele e a levou para a residência dos avós. A menina teria chegado chorando muito e dizendo que não queria voltar para casa, alegando que não suportava mais as brigas entre Geraldo e a mãe, nem os gritos do padrasto. Esse trecho consta no depoimento da avó da criança e mãe da soldado.
Segundo Marinalva, a neta descrevia um cotidiano doméstico marcado por tensão constante. Gisele e a filha costumavam dormir no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel permanecia em outro cômodo do apartamento.
A mãe da soldado também relatou episódios de controle e vigilância atribuídos ao tenente-coronel. De acordo com ela, Gisele se queixava de sofrer pressão frequente do marido, com restrições a comportamentos do dia a dia e ao modo de se apresentar.
No depoimento, Marinalva afirmou que a filha relatava “agressões psicológicas” recorrentes e dizia que “tudo tinha que ser do jeito de Geraldo”. Segundo a mãe da policial, o oficial proibia o uso de salto alto, batom e perfumes. Ela declarou ainda que o comportamento de vigilância do tenente-coronel era percebido por pessoas próximas ao casal e mencionou situações em que, se Gisele fosse ao banheiro, ele a acompanhava.
Ao mesmo tempo em que reafirma a versão de suicídio e tenta explicar as marcas no pescoço de Gisele, o tenente-coronel Neto é alvo de investigações paralelas conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM, que apuram tanto as circunstâncias da morte quanto o histórico do relacionamento entre os dois.