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    Relembre a cronologia de um dos episódios mais violentos do Rio, que resultou em 28 mortes no Jacarezinho

    A marca anterior era de uma ação no Complexo do Alemão, em 2007, quando 19 pessoas morreram.

    Por Plox

    16/10/2021 11h29 - Atualizado há cerca de 1 mês

    RIO — Por volta das 5h50 do dia 6 de maio, uma quinta-feira, cerca de 200 agentes saíram da Cidade da Polícia, localizada a cerca de cem metros do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, para uma operação. A ação resultou em 28 mortes e entrou para a história como a mais letal do Rio de Janeiro. A marca anterior era de uma ação no Complexo do Alemão, em 2007, quando 19 pessoas morreram.

    Marcas da violência numa das casas da Favela do Jacarezinho Foto: Agência O Globo
    Marcas da violência numa das casas da Favela do Jacarezinho Foto: Agência O Globo

     

    Levantamento do GLOBO, com base nos microdados do Instituto de Segurança Pública (ISP), revela que, desde então, o dia mais letal em decorrência de operações policiais foi 15 de outubro do ano passado, com 25 homicídios, registrados em oito ações em locais diferentes do estado.

    Um dos mortos foi o inspetor da Polícia Civil Leonardo de Mello Frias, de 48 anos, baleado na cabeça. Em plena pandemia e com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) restringindo operações a casos “excepcionais”, a ação provocou críticas de especialistas de segurança e de entidades de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, além de ser alvo de investigação pelo Ministério Público do Rio.

     

    Confira, a seguir, o passo a passo de um dos episódios mais violentos da história do Rio de Janeiro:

    Veja a cronologia

    6 de maio

    • O cerco começou por volta das 6h da manhã, em vários pontos, com o apoio da PM. Em várias vias encontraram barricadas, feitas com trilhos e corrente de ferro, que precisaram ser retiradas para os blindados passarem. A circulação dos trens da SuperVia e da Linha 2 do Metrô foram afetadas e só normalizaram várias horas depois. O agente Leonardo foi morto logo na entrada da comunidade, de um tiro que teria partido de uma laje. O motivo da operação, que durou cerca de nove horas, era uma investigação sobre arregimentação pelo tráfico de crianças de até 12 anos, que circulariam pela favela com fuzis, além de atos “terroristas” atribuídos à quadrilha, como sequestro de trens da Supervia. Durante o confronto, o desespero se espalhou pela região e passageiros em um vagão do metrô se jogaram no chão, mas não foi possível evitar que dois fossem feridos por estilhaços. Dois policiais foram baleados. E uma terceira pessoa foi atingida por um tiro no pé dentro de casa.

     

    7 de maio

    • No dia seguinte da operação, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Organização das Nações Unidas (ONU) exigiram investigações independentes e rigorosas para apurar as denúncias de abusos e de execução dentro do Jacarezinho, feitas por moradores e parentes dos mortos. O total de vítimas, divulgado inicialmente como sendo 25, subiu para 28, incluindo um policial civil, porque outras três teriam morrido no hospital. Durante o enterro do policial civil André Leonardo de Mello Frias, no Cemitério de Sulacap, o secretário de Polícia Civil Allan Turnowski disse que a ação foi feita com atuação técnica e com maturidade. Turnowski, que saiu sem dar entrevista, disse em seu pronunciamento que os traficantes não atiraram para fugir e sim para matar. No fim da tarde moradores e familiares das vítimas fizeram um protesto contra o que chamaram de “chacina do Jacarezinho” com faixas e cartazes, que teve a presença de cerca de 300 manifestantes.

    8 de maio

    • Quatro dos seis presos na operação policial do Jacarezinho, ouvidos em audiência de custódia, contaram que foram obrigados a “carregar corpos para o caveirão”. Segundo a coordenadora do Núcleo de Audiências de Custódia da Defensoria Pública, Mariana Castro, os acusados afirmaram que nenhum dos homens estava vivo, o que comprova que a cena de crime foi desfeita. Ela contou também que os presos relataram que foram agredidos com socos e chutes eque só não morreram porque foram detidos na presença de familiares. Oito das 28 pessoas mortas durante a ação foram baleadas dentro de cinco casas espalhadas pela favela. Os dados são dos registros de ocorrências sobre os homicídios elaborados na Delegacia de Homicídios (DH). Somente 48 horas depois da operação, a polícia liberou a lista com o nome dos mortos, mas não informou que crimes seriam atribuídos a eles.

    10 de maio

    • Do total de 27 mortos na favela do Jacarezinho, considerados suspeitos, apenas quatro eram alvo da operação policial na favela, mostou o levantamento, obtido pelo GLOBO,que constava de relatório sigiloso da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. Além disso, duas vítimas, uma delas de 16 anos, não tinham qualquer anotação criminal, embora os agentes tenham dito que eram todos criminosos. O documento foi elaborado apenas três dias depois da operação na comunidade em que também morreu o inspetor Leonardo André Frias.

     

    11 de maio

    • O procurador geral de Justiça, Luciano Mattos, anuncia criação de uma força-tarefa para investigar a operação na Favela do Jacarezinho, que terminou com 28 mortos, entre eles um policial civil. Mattos afirmou que foi feita essa opção pela complexidade do caso. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) havia suspendido as operações policias, exceto em casos excepcionais.

    12 de maio

    • Uma missa foi celebrada pelo arcebispo Dom Orani Tempesta, no Cruzeiro do Jacarezinho, para lembrar os 28 mortos. Segundo o religioso, a ideia era pedir paz para a comunidade, onde já esteve várias vezes em procissões. Fiéis vestidos de branco e com bandeiras brancas acenaram durante os cânticos da Igreja Católica.

    2 de junho

    • O Ministério Público do Rio (MPRJ) anuncia a intenção de contratar uma perícia independente para ajudar na investigação das mortes. O procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, afirmou ao GLOBO que o pedido partiu da Força-Tarefa (FT) do Jacarezinho, criada por ele com objetivo de apurar se houve uso excessivo da força por parte dos policiais que atuaram na ação.

    22 de junho

    • Os 27 homens mortos pela polícia no Jacarezinho foram atingidos por 73 tiros, revelaram os laudos dos exames de necropsia, obtidos pelo GLOBO. Os documentos também mostraram que quatro dos mortos foram atingidos pelas costas e que um dos cadáveres apresentava uma ferida produzida por um disparo feito a curta distância. Parentes dos mortos afirmam que eles foram executados. A Polícia Civil nega e alega que todos foram mortos em confronto com os agentes. Além dos 27 homens, também foi morto durante a ação o policial civil André Leonardo de Mello Frias.

    3 de agosto

    • Em uma carta enviada à Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro afirmou que promove ações de formação, com base nos direitos humanos, junto às forças de segurança do país para promoção de uma "cultura de paz". O documento foi uma resposta a questionamentos da ONU sobre as 28 mortes em maio, no Jacarezinho.

     

    8 de setembro

    • O Ministério Público do Rio de Janeiro anuncia a decisão de prorrogar, inicialmente, por mais quatro meses os trabalhos da força-tarefa que está investigando as 28 mortes, entre elas a de um policial civil, ocorridas na favela do Jacarezinho, no começo de maio e considerada mais letal da história do estado. Segundo o MP, o prazo foi estendido para dar continuidade às investigações.

    15 de outubro

    • O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Força-Tarefa que atua nas investigações das mortes e demais crimes ocorridos em operação policial no Jacarezinho (FT-Jacarezinho/MPRJ), denuncia à Justiça, dois policiais civis por envolvimento no homicídio de Omar Pereira da Silva, no dia 6 de maio. A ação, considerada a mais letal da história do Rio, terminou com 28 pessoas mortas.

     

    Fonte: https://extra.globo.com/casos-de-policia/relembre-cronologia-de-um-dos-episodios-mais-violentos-do-rio-que-resultou-em-28-mortes-no-jacarezinho-25238527.html
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