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    ‘CPI do Sertanejo’ ressalta abismo entre valores pagos a artistas

    Investigação evidencia dificuldades dos artistas que ainda não bombaram em obter recursos para viver da própria arte

    Por Plox

    17/06/2022 10h36 - Atualizado há 16 dias

    “Não dependemos de Lei Rouanet. Nosso cachê quem paga é o povo”. Foi com essa frase do sertanejo Zé Neto, da dupla com Cristiano, que teve início um debate no Brasil sobre os valores recebidos por diversos cantores que, embora conceituados, ganham verbas públicas. Afinal, quem paga pelo trabalho dos artistas do país?

    Enquanto a “CPI do Sertanejo” – como o caso ficou conhecido nas redes sociais – chamou atenção para os cachês milionários de artistas como Gusttavo Lima, que receberia R$ 1,2 milhão da Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, por um show que acabou sendo cancelado, essa realidade está longe da grande maioria dos músicos. Em geral, a classe ainda luta, com cachês muito inferiores, para ter o próprio trabalho valorizado. 

    É o caso da dupla de irmãos Angelo e Angel, que moram em Ibirité, na região metropolitana de BH. Com cachês distantes da casa do milhão, eles se desdobram na carreira musical desde a adolescência e estiveram, inclusive, no global “The Voice Brasil”, em 2013.

    Dupla Angelo e Angel sonha alcançar as paradas de sucesso para ganhar um pouco mais de dinheiro

     

    Depois de quase 30 anos na música, relembram o começo difícil. “Trabalhávamos de pedreiro e poceiro durante a semana. No fim de semana, a gente cantava em barzinho, fazia show para a prefeitura”, recorda-se Angel.

     

     

    "A oportunidade vem mais para quem está lá em cima. Não é que eles não precisem, mas já têm uma carreira sólida e conseguem segurar a onda. Quem está começando tem que mendigar para conseguir espaço”, diz o cantor.

     

    O vai e vem 

    A Prefeitura de Conceição do Mato Dentro chegou a cancelar o show de Bruno e Marrone, mas depois mudou de ideia. Até a publicação desta reportagem, o show da dupla, com cachê de R$ 520 mil, estava previsto para sábado (18). 

     

     

    Preconceito é obstáculo

    Ao longo da carreira, Angelo e Angel enfrentaram mais uma barreira para o crescimento na música: o racismo. “Tem lugar que prefere colocar pessoas que não são negras para cantar. Só quem vive (o racismo) na pele igual a gente, que é negro, sabe o que é isso”, comenta Angel. 

    Após o “The Voice Brasil”, mais portas se abriram para a dupla, que hoje vive da música. Mas o grande sonho não se realizou, como disse Angel: “Dar uma casinha para nossa mãe”.

    Do ‘tororó’ de Anitta à ‘CPI do Sertanejo’

    A discussão sobre cachês dos cantores começou em 12 de maio, com um deboche de Zé Neto – da dupla com Cristiano – sobre a tatuagem no “tororó” de Anitta, seguido de crítica ao uso de recursos da Lei Rouanet. Feita em Sorriso (MT), em show da dupla que custou R$ 400 mil à prefeitura, a fala repercutiu muito. 

     

     

    Os holofotes se voltaram para o show de Gusttavo Lima em Conceição do Mato Dentro, até então previsto para 20 de junho, que custaria R$ 1,2 milhão à prefeitura da cidade. O evento foi cancelado.

    Fonte: https://www.otempo.com.br/super-noticia/cpi-do-sertanejo-ressalta-abismo-entre-valores-pagos-a-artistas-1.2684806
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