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Em 15 dias, casos confirmados de Covid-19 dobraram em Ipatinga

19/05/2020 17:47

Reportagem do PLOX conversou com a Administração Municipal e com a população sobre os números registrados nos últimos dias

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Nos últimos 15 dias o número de casos confirmados de Covid-19 no município de Ipatinga-MG saltou de 24 para 50 casos confirmados. O número dobrou considerando os 5 casos confirmados nesta terça-feira (19). 23 destes 26 novos casos foram confirmados nos últimos 7 dias. 

Os números utilizados nessa reportagem são dos boletins epidemiológicos diários publicados pela Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga entre os dias 05 e 19 de maio.

Nesse período de 15 dias, ainda de acordo com os boletins, 271 testes foram realizados pelo município: 245 com resultado negativo para Covid-19 e os 26 positivos. Dos 245 resultados negativos, segundo a Secretaria de Saúde, 176 foram feitos utilizando o método RT-PCR, considerado o mais eficaz, e outros 69 foram feitos utilizando testes rápidos. 

Prefeitura atribui aumento a maior número de testes

A reportagem do PLOX entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Ipatinga (PMI) para saber um pouco mais sobre a avaliação do executivo sobre o quadro epidemiológico da cidade.

A administração municipal atribuiu o aumento repentino nos números registrados nos últimos dias à “liberação de resultados de um grande número de testes que estavam ‘represados’ nos laboratórios credenciados, em Belo Horizonte, por vontade alheia à Administração Municipal”, além de “uma expressiva bateria de testes rápidos em Ipatinga” realizada nos últimos dias. 

Fachada da sede da Prefeitura de Ipatinga MG (1) Foto: Arquivo/Reprodução
 

Ainda de acordo a prefeitura, após o município fazer a aquisição de kits de testagem rápida, foi possível testar um número maior de suspeitos, principalmente pessoas que apresentaram sintomas entre o 10º e o 12º dia, assim, sendo “natural que apareça um maior número de casos positivos na cidade”.

A Prefeitura Municipal de Ipatinga disse também que “o gráfico epidemiológico do município relativo ao mês de maio, com contabilização diária do número de novos casos suspeitos, tem apresentando um crescimento baixo, em geral de aproximadamente 1% e em muitos dias inclusive negativo”. Para o executivo municipal, “isso quer dizer que ao longo deste período houve uma redução no número de pessoas com suspeita de contaminação pela doença”.

Flexibilização do comércio no município

No último dia 28 de abril a Prefeitura Municipal de Ipatinga editou um decreto que flexibilizou a quarentena para permitir a volta ao funcionamento de bares, restaurantes, academias e shoppings.

Neste dia, o boletim epidemiológico da cidade publicado às 16h30 marcava o número de 18 casos confirmados, 32 a menos do que o número confirmado nesta terça-feira (19). 

O PLOX perguntou a PMI se o executivo acha que o comércio flexibilizado e a volta dos munícipes às ruas após os primeiros dias de quarentena poderia ter influenciado negativamente nestes números. 

Em sua resposta à reportagem, Administração de Ipatinga disse que “em relação a um comparativo entre o retorno do comércio de forma flexibilizada e o aumento de número de positivos na cidade, o município não tem como se posicionar, uma vez que são inúmeros fatores que envolvem e influenciam o balanço epidemiológico da cidade”. A nota enviada pela prefeitura estará disponível na íntegra no fim desta reportagem. 

Moradores de Ipatinga se divergem quanto ao assunto

Néviton Alves, de 46 anos, é enfermeiro e morador da cidade de Ipatinga. Em conversa com o PLOX, Néviton disse concordar com o isolamento social, “inclusive com o fechamento do comércio”, mas também disse achar que imediatamente deve-se “conscientizar a população e prepara-lá para o retorno das atividades econômicas”. 

Screenshot 15 Néviton Alves. Foto: Arquivo Pessoal

 

“Não dá pra interromper a atividade econômica e mantê-la fechada por muito tempo. Não podemos deixar de cuidar da economia porque ela que mantém a dignidade humana. A moradia e a alimentação é o mínimo que as pessoas precisam. Acho que o retorno pleno do comércio é necessário, mas a população tem que contribuir”, disse.

Perguntado se a reabertura do comércio pode ter influenciado negativamente nos casos na cidade, Néviton disse não achar que este possa ter sido o motivo. 

“Existe uma regra nessa situação que o mundo está vivendo com a pandemia, que é a elevação da taxa de contaminação de forma controlada. Ela ocorrerá de qualquer forma, mas devemos retardar ao máximo essa curva de contaminação para não saturar o sistema de saúde, seja ele público ou privado”, observou o enfermeiro. 

O farmacêutico Rodrigo Kennedy Simões, de 33 anos, também é morador de Ipatinga. Em conversa com o PLOX ele disse que não acha que alterar o horário do comércio possa contribuir significativamente para diminuir os casos. 

Screenshot 16 Rodrigo Kennedy Simões. Foto: Arquivo Pessoal

 

“Fechar uma ou duas horas mais cedo não tem efeito significativo, ao menos não vejo se há estudos sobre tal”, disse Rodrigo. Ele também foi perguntado sobre uma possível relação entre a volta do comércio e o aumento no números dos casos. 

“Ao meu ver não [contribuiu]. O que contribuiu foi a falta de compreensão da população, os que podem ficar em casa não ficam, e ainda somando aos que têm a necessidade de sair para trabalhar. Complica uma pouco. Se você reparar a quantidade de movimento na rua no início do fechamento foi baixíssimo. Falo porque trabalho em drogaria e o movimento na cidade caiu muito, não creio que foi a flexibilidade no comércio, mas sim a falta de compreensão da população em se resguardar quando possível”, concluiu. 

Conversamos também com um comerciante, de 50 anos, morador de Ipatinga e que pediu para ter a identidade preservada. Feita a mesma pergunta, ele disse achar que a flexibilização foi um fator determinante nos números, mas principalmente pela quantidade de pessoas nas ruas mesmo “sem comprar nada”. 

“O movimento no comércio diminuiu nos últimos dias, é um fato. Seja pelo poder aquisitivo ou até mesmo pelo receio em gastar dinheiro com a situação que estamos vivendo. Mas mesmo diminuindo, tem muita gente na rua e nos comércios que poderiam estar em casa, mas acabam saindo para ‘passear’, mesmo sem o desejo de consumir e contribuem para espalhar o vírus”, disse. 
O comerciante concluiu que o problema não é abrir o comércio, mas sim “a ida desnecessária de pessoas que não precisariam ir até eles, colocando em risco a si próprias e também à toda população”. 

Nota da Prefeitura de Ipatinga na íntegra

A Prefeitura de Ipatinga, por meio da Secretaria de Saúde, esclarece que nos últimos dias os números de casos positivos no município subiram, muito provavelmente em função da liberação de resultados de um grande número de testes que estavam “represados” nos laboratórios credenciados, em Belo Horizonte, por vontade alheia à Administração municipal. Há de se considerar, também, que nos últimos dias o município realizou uma expressiva bateria de testes rápidos em Ipatinga.

No início da pandemia, o grande problema destacado pela Administração municipal em relação a uma maior precisão quanto ao número de casos na cidade era exatamente a morosidade dos resultados de testes sob responsabilidade do Estado, via Fundação Ezequiel Dias, e também dos laboratórios particulares, além da indisponibilidade de testes rápidos no mercado.

Após aquisição de kits de testes rápidos, enfim o município conseguiu dar início às testagens de casos suspeitos, com priorização de pessoas que apresentaram sintomas entre o 10º e o 12º dia. Com isso, é natural que apareça um maior número de casos positivos na cidade.

Vale destacar, ainda, que conforme o último boletim epidemiológico divulgado, com data de 18 de maio, foram descartados 1.183 casos, cujos resultados de testagem foram negativos. 

Deve-se salientar também que o gráfico epidemiológico do município relativo ao mês de maio, com contabilização diária do número de novos casos suspeitos, tem apresentando um crescimento baixo, em geral de aproximadamente 1% e em muitos dias inclusive negativo. Isso quer dizer que ao longo deste período houve uma redução no número de pessoas com suspeita de contaminação pela doença.



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