Dólar abre em leve queda com petróleo recuando e tensão no Oriente Médio no radar

Moeda era cotada a R$ 5,0317 às 9h, enquanto investidores aguardavam o Ibovespa e a ata do Fed.

20/05/2026 às 09:47 por Redação Plox

O mercado financeiro começou esta quarta-feira (20) com o dólar em leve queda. Às 9h, a moeda norte-americana recuava 0,17% e era negociada a R$ 5,0317. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Tensões no Oriente Médio seguem no centro das atenções

No exterior, investidores continuam acompanhando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Como não houve avanço concreto nas conversas para encerrar o conflito que envolve o Irã, cresce a apreensão com os efeitos econômicos de uma possível escalada.

A leitura predominante é que um agravamento das tensões pode encarecer a energia, aumentar a pressão inflacionária, desacelerar o crescimento global e levar países a manterem juros elevados por mais tempo.

Mesmo com esse ambiente de cautela, o petróleo operava em queda na manhã. Por volta das 8h45, o Brent recuava 3,24%, para US$ 108,47, e o WTI caía 2,48%, a US$ 101,79.

Investidores aguardam sinalizações do Fed

Também no radar global, o mercado esperava a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), realizada em 28 e 29 de abril. O documento é acompanhado de perto em busca de indicações sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos, especialmente diante do debate sobre inflação e trajetória de juros.

Pesquisa eleitoral e episódio com Vorcaro entram no cálculo do mercado

No Brasil, o cenário político continuou influenciando as expectativas. Uma pesquisa AtlasIntel apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.

Além disso, ganhou peso entre investidores a repercussão de um episódio envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Nesta terça-feira (19), ele reconheceu que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, depois da primeira prisão de Vorcaro, no fim de 2025. Segundo o senador, a intenção era encerrar o impasse sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco Flávio Bolsonaro

O senador havia solicitado recursos a Vorcaro para viabilizar a produção. Um áudio revelado pelo site The Intercept Brasil — com existência e conteúdo confirmados pela TV Globo junto a investigadores e pessoas com acesso às informações — mostra Flávio pedindo US$ 24 milhões, montante que equivalia, na época, a cerca de R$ 134 milhões. Depois, ele confirmou o envio da mensagem e disse não ter cometido irregularidade.

O caso ganhou repercussão porque, até então, Flávio negava participação nas tratativas. Ao mesmo tempo, ele intensificava críticas públicas ao Banco Master e defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o escândalo envolvendo a instituição.

A Polícia Federal investiga se recursos ligados a Vorcaro teriam sido usados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Conforme a apuração, o filme pode ter sido utilizado como justificativa formal para a transferência. Os investigadores tentam esclarecer se os valores foram de fato destinados à produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte do dinheiro teria financiado a permanência de Eduardo no exterior.

A GOUP Entertainment, produtora de “Dark Horse”, afirmou que não recebeu dinheiro de Vorcaro nem de empresas sob seu controle societário.

Para o mercado, a controvérsia levanta dúvidas sobre a capacidade eleitoral da oposição e sobre a viabilidade de uma candidatura competitiva em 2026. Com isso, aumentam as apostas de menor alternância no poder — fator que influencia projeções sobre contas públicas e pode mexer com câmbio e bolsa. Na avaliação de investidores, o desgaste pode atingir a imagem de Flávio Bolsonaro, afetar suas perspectivas na disputa e contribuir para pressão sobre o dólar e recuo do mercado acionário.

Como o dólar e o Ibovespa acumulam no período

Dólar

  • Acumulado da semana: -0,53%;
  • Acumulado do mês: +1,79%;
  • Acumulado do ano: -8,17%.

Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,70%;
  • Acumulado do mês: -6,96%;
  • Acumulado do ano: +8,16%.

Guerra e negociações: pontos de atrito seguem sem solução

O conflito entre EUA, Israel e Irã permanecia em clima de tensão, embora com negociações em andamento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter suspendido um novo ataque ao Irã após pedidos de aliados como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que veem chance de um acordo de paz.

Apesar da pausa mencionada por Trump, ele afirmou que os militares americanos continuam prontos para atacar se as conversas fracassarem. Entre os principais impasses estão o programa nuclear iraniano e a disputa em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial.

Do lado iraniano, a resposta foi a declaração de que as forças do país estão em “alerta máximo”, com promessa de reação rápida e forte a qualquer nova ofensiva dos EUA.

Nos Estados Unidos, o tema também tem custo político: pesquisas recentes indicam aumento da rejeição ao conflito e queda na aprovação de Trump, especialmente por preocupações econômicas e pelo temor de uma escalada militar.

Panorama das bolsas internacionais

Por volta das 8h45 (horário de Brasília), os índices futuros em Wall Street apontavam para uma abertura positiva. O Dow Jones futuro subia 0,2%, o S&P 500 avançava 0,4% e o Nasdaq ganhava 0,7%.

Na Europa, o movimento era de alta moderada. O Stoxx 600 tinha avanço de 0,2%. Entre as principais praças, o DAX (Alemanha) subia 0,5%, o CAC 40 (França) avançava 0,6% e o FTSE 100 (Reino Unido) registrava alta de 0,21%.

Na Ásia, predominou o sinal negativo no fechamento. Na China, o CSI300 recuou 0,04% e o índice de Xangai caiu 0,2%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,6%. No Japão, o Nikkei 225 encerrou com baixa de 1,2%, aos 59.804,41 pontos.

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