Estudo nos EUA associa posições à esquerda a pior autorrelato de saúde mental; autores pedem cautela

Pesquisa com 978 adultos encontrou correlações com diagnósticos e sintomas autorrelatados, mas não conclui causa e efeito e recebeu críticas por medidas não padronizadas e falta de controles.

20/05/2026 às 14:00 por Redação Plox

Um estudo publicado em abril no Journal of Open Inquiry in the Behavioral Sciences encontrou associação entre posições políticas mais à esquerda e pior autorrelato de saúde mental em uma amostra de 978 adultos dos Estados Unidos. A pesquisa, porém, não permite concluir que a orientação política cause transtornos mentais, nem que pessoas de determinado campo ideológico tenham, por isso, diagnóstico clínico confirmado.

Manifestação de esquerda

Manifestação de esquerda

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


Os autores Meng Hu e Emil Kirkegaard

Os autores Meng Hu e Emil Kirkegaard aplicaram questionários sobre saúde mental, valores políticos e modificações corporais. Segundo o artigo, indicadores como diagnósticos autorrelatados, sintomas recentes e satisfação com a vida tiveram correlação negativa com o que os pesquisadores classificaram como

esquerdismo geral
.

Entre os pontos citados no estudo

Entre os pontos citados no estudo, diagnósticos de TDAH e transtorno de ansiedade generalizada aparecem como marcadores mais associados ao grupo posicionado à esquerda dentro da amostra analisada. A pesquisa também observou relação fraca a moderada entre ideologia de esquerda, modificações corporais, como tatuagens e piercings, e diagnósticos de saúde mental.

A leitura dos dados exige cautela

A leitura dos dados exige cautela. Uma revisão publicada no mesmo periódico afirmou que o trabalho trata de tema relevante, mas apontou necessidade de maior cuidado em algumas interpretações, incluindo o uso de medidas não padronizadas e a falta de controle para fatores como escolaridade e condição socioeconômica.

Outro estudo, publicado em 2025 na PLOS One

Outro estudo, publicado em 2025 na PLOS One por pesquisadores de Tufts e Yale, também encontrou melhor autoavaliação de saúde mental entre conservadores nos Estados Unidos, mas indicou que parte dessa diferença pode estar ligada a fatores como religiosidade, patriotismo, casamento e até à forma como a expressão

saúde mental
é percebida por grupos políticos diferentes.

Assim, o conjunto de pesquisas aponta

Assim, o conjunto de pesquisas aponta uma diferença recorrente em autorrelatos de bem-estar e diagnósticos entre grupos ideológicos nos EUA, mas não autoriza generalizações diretas para outros países nem conclusões de causa e efeito. Especialistas citados em estudos sobre o tema também levantam hipóteses alternativas, como maior disposição de liberais para buscar diagnóstico ou menor abertura de conservadores para relatar sofrimento psicológico.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a